8 coisas que você aprendeu nos filmes e que são mentiras

Filmes ou fantasias? Você provavelmente já tem uma certa noção de que Hollywood perpetua uma ciência fantasiosa e fatos históricos nada verdadeiros, mas alguns desses ‘fatos’, apesar de equivocados, acabam virando crenças e você talvez nem imagine que eles tenham sido propagados por filmes.

Recentemente, filmes como "Lucy" e "Sem Limites" tentaram afirmar que os seres humanos usam apenas um porção mínima do cérebro, mas logo em seguida, praticamente todos os veículos da mídia (inclusive esse) publicou uma nota explicando e desmentindo o mito antes que ele pudesse virar crença. Infelizmente, nem sempre temos tanta sorte e Hollywood consegue realmente fazer com que conceitos equivocados façam parte da nossa compreensão do mundo.

1. Os tubarões são uma grande ameaça às praias.

Em homenagem à Semana do Tubarão, achamos importante desmentir essa crença. O Steven Spielberg pode até ter lhe convencido do contrário com seu filme “Tubarão” de 1975, mas não é preciso ter tanta preocupação com tubarões. Os ataques de tubarões são raros, e quase nenhum ataque resulta em morte. Existem várias outras coisas que não nos preocupam mas que matam mais pessoas todo ano, entre elas, cães. Sinceramente, os tubarões precisam ter muito mais medo de nós seres humanos do que nós deles: Só nesse último ano, humanos mataram 11.417 tubarões a cada hora.

2. Você tem direito a fazer uma ligação se for preso.

Esse talvez seja o mito mais conhecido de todos nessa lista. Aparentemente, aquela única ligação que você achava que teria direito a fazer se fosse preso um dia, só acontece em filmes. Você tem direito sim a um advogado, que pode então lhe conseguir um telefone para que você possa fazer uma ou mais ligações, mas nada na Constituição garante uma ligação. O site HowStuffWorks explica:

O cinema e a TV muitas vezes mostram o preso reivindicando o direito de fazer uma ligação. Mas, na verdade, o uso de telefones nas prisões varia muito. Os presos devem ter acesso razoável a um advogado, mas fora isso, as regras de uso do telefone dependem em grande parte da decisão de cada prisão ou estado… A cláusula de direito à expressão livre da Primeira Emenda da constituição Americana não dá aos presos acesso irrestrito a um telefone, ainda que permita acesso mínimo. Muitas vezes, as prisões consideram ligações telefônicas privilégios ou bônus, ao invés de um direito garantido (excluindo certas exceções, como o contato com um advogado).

Tendo dito isso, a maioria dos estados parece lhe garantir o direito de usar o telefone enquanto você cooperar com as autoridades e o crime não for tão severo. Por exemplo, o estado da Califórnia lhe permite três ligações telefônicas.

3. Lêmingues andam em bandos, pulam de penhascos e morrem.

Em 1958, a Disney lançou um documentário ecológico chamado "White Wilderness," que mostrava uma cena totalmente fabricada de lêmingues, um pequeno rato, pulando de um penhasco. Ao invés de retratar verdadeiramente um suicídio em massa de lêmingues – o que não acontece na natureza – os fotógrafos importaram lêmingues para o local da filmagem no Canadá, colocaram os animais em plataformas rotatórias para deixá-los tontos e depois enganaram os roedores para pularem até a morte. Enquanto os lêmingues estão sendo empurrados penhasco abaixo, o narrador afirma: "Essa é a última chance de voltar atrás, mas mesmo assim, lá vão eles, jogando-se no espaço… e assim foi criada a lenda do suicídio em massa”.

É possível assistir o clipe aqui. Como disse o site io9, "Esse filme foi o que deu início à crença de que os lêmingues seguem o rebanho a despeito de qualquer coisa”. Apesar do filme ter popularizado o mito, houve uma época em que se acreditava que os lêmingues faziam isso devido à variação considerável da população da espécie e afogamentos acidentais que aconteciam de vez em quando.

4. Você pode ser engolido por areia movediça.

Não se tem registro da primeira vez em que areia movediça apareceu em um filme – pode ter sido no filme mudo de 1909 "Saved from the Quicksand" – mas ao longo do último século a indústria cinematográfica tem desenvolvido um mito de que a areia movediça pode facilmente engolir as pessoas. Essa falácia parece ter vindo à tona nos anos 60, mas vem caindo em descrédito desde a publicação do brilhante ensaio de Daniel Engber no site Slate que explica:

Como cria dos anos Reagan, eu achei que havia visto os dias de glória da areia movediça: Que profundidade alcançamos, no filme A História Sem Fim (1984), quando Artax afundou no Pântano da Tristeza, e que alegria ao vermos a princesa Buttercup salva do lamaçal em A Princesa Prometida (1987)… Mas por conta disso tudo, a areia movediça da nossa juventude já era um recurso em extinção. Quando eu cheguei no ensino médio, a enganação só podia ser vista em filmes de horror de segunda e seriados loucos como Perfect Strangers e Small Wonder. A areia movediça era satirizada e estava acabando.

Então o que a areia movediça faz de fato? As pessoas podem ficar presas em areia movediça, mas afundar mais fundo do que a cintura não é provável. Supostamente é fácil o suficiente mexer as pernas e boiar de costas até ficar livre.

5. Os kilts são uma tradição antiga na Escócia.

O filme “Coração Valente” de 1995, retrata a história do guerreiro escocês William Wallace, que viveu no século 13. No filme, Wallace e vários outros personagens são vistos usando um kilt várias vezes. Isso parece fazer sentido, já que os kilts escoceses têm uma longa e honrada tradição que começou muito antes da época de Wallace, certo?

Na verdade, os kilts foram uma invenção do século 16 e só tornaram-se populares depois disso. Historicamente, eles estão mais próximos do chapéu de três pontas do que da era de Wallace. Ao listar a falta de precisão histórica de “Coração Valente”, a doutora Sharon L. Krossa Ph.D. afirmou, "É como se fizessem um filme sobre o período colonial dos EUA mostrando os homens daquela época usando ternos do século 20, só que com o blazer usado de trás para frente”.

6. Os iglus são a moradia mais popular dos Esquimós.

O filme "Nanook, o Esquimó" foi lançado em 1922 e é considerado o primeiro documentário. Ele “retratava” a vida de uma família Inuit (ou Esquimó) enquanto caçavam com lanças e construíam um iglu. Como o site Cracked mostrou, infelizmente o filme foi basicamente encenado, mostrando uma versão falsa da vida dos Inuits.

O termo "Iglu" na verdade deveria significar qualquer tipo de casa dos Inuits e a estrutura mais associada com a palavra é chamada de casa de gelo. Essas casas de gelo na verdade eram estruturas temporárias que um certo sub-grupo do povo Inuit construía durante os meses de inverno.

Estruturas permanentes feitas de grama, madeira e pedra eram bem mais comuns.

7. Um pequeno buraco em um avião causará um catástrofe.

No filme "007 Contra Goldfinger", de 1964, James Bond adverte o vilão do filme sobre “atirar armas de fogo em aviões”. Goldfinger não segue os conselhos de Bond, e Bond consegue tirar a arma dourada da mão de Goldfinger, atirando em direção da janela, causando uma despressurização radical no avião, fazendo com que o vilão seja sugado pela janela. Os efeitos especiais não são grande coisa, mas é possível assistir a cena aqui.

Infelizmente para Bond, estilhaçar a janela com uma bala (mesmo que fosse de uma arma dourada) não teria jogado Goldfinger para fora do avião na vida real. A dupla de desmistificadores do programa MythBusters colocou esse mito à prova e descobriu que um pequeno buraco feito por um tiro não causava uma diferença significativa. Um vidro totalmente estilhaçado poderia, no entanto, causar a perda de objetos ou partes do corpo que estivessem perto da abertura, mas um piloto habilidoso poderia evitar uma catástofre maior.

8. A pele pode sufocar se estiver coberta com uma substância como ouro.

"007 Contra Goldfinger" também tornou senso comum o mito de que a pela pode sufocar causando a morte. No filme, a personagem Jill Masterson more quando seu corpo inteiro é pintado com ouro. Bond afirma no filme que isso acontece porque o corpo respira através da pele e uma pequena porção precisa ficar descoberta a fim de evitar asfixia.

Isso não acontece. Cobrir o seu corpo de tinta pode ser prejudicial por entupir os poros da pele e a tinta pode ser tóxica, mas a pele não precisa respirar. A respiração normal pela boca ou nariz servem muito bem para prevenir a asfixia.