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22/08/2014 10:29 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Operação bancária feita no smartphone pode ser até quatro vezes mais segura do que cartões, diz especialista

Anatoliy Babiy / Thinkstock

Pare e pense: quantas vezes você foi a uma agência bancária neste ano? E quantas vezes acessou sua conta a partir da internet ou de seu smartphone?

Para Brett King, especialista em mercado financeiro, o banco hoje é uma utilidade, e não mais um lugar.

Mesmo com alguns casos de fraudes e roubo de informações, ele garante que as transações bancárias feitas por meio de um celular podem ser até quatro vezes mais seguras do que o uso de um cartão de crédito tradicional.

“Um cartão de crédito físico não é muito seguro. Temos o chip, dados e uma assinatura, mas se eu deixá-lo numa mesa, você pode pegá-lo e usá-lo. Um telefone é mais difícil de ser esquecido, além de ter controles de acesso e de localização”, diz ele, em entrevista exclusiva ao Brasil Post.

Para King, embora preocupações com a segurança existam, elas não devem frear o desenvolvimento do mobile banking.

“Quando temos novas tecnologias ganhando espaço, vemos os roubos e as fraudes reduzirem”.

Brett está no Brasil para participar do Think with Google, uma série de palestras e encontros promovidos pela empresa em São Paulo.

“Quando começamos a usar cartões de crédito on-line, as pessoas falavam ‘ah, não é seguro, eu não vou colocar meus dados na internet’, e hoje fazemos isso sem pensar. Com a evolução da tecnologia e as novas ferramentas de pagamento que vem surgindo, o instinto das pessoas irá mudar muito rápido, e isso não acontecerá daqui muito tempo. Eu diria que nos próximos três anos”, aposta King.

Segundo dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), o ano de 2013 foi um marco na inversão de comportamento do correntista: o internet banking se consolidou como principal canal de transação, sendo responsável por 41% de todas as operações bancárias e registrando um crescimento de 23%.

Já as plataformas móveis, como tablets e smartphones, responderam por 6% do total de transações realizadas em 2013, com um crescimento médio de 270% nos últimos cinco anos.

O crescimento é modesto se comparado a países como a Noruega e Coreia do Sul, onde a penetração do online banking chega a 80%. Para Brett é apenas uma questão de tempo para que as transações feitas pelo celular sejam totalmente incorporadas ao nosso dia a dia.

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É necessário levar em conta, no entanto, que embora mais da metade de população brasileira tenha acesso a internet, apenas cerca de 25% possuem um smartphone. Embora essa diferença deva diminuir significativamente ao longo dos anos, ela ainda é um freio para a expansão do serviço no Brasil.

Segundo dados da Febraban, quando comparado aos EUA, o índice de penetração da internet no Brasil, de 52%, equivale ao dos americanos há 11 anos, enquanto o índice de penetração de smartphones, de 27%, é o mesmo dos americanos em 2010.

Para King, outro aspecto que deve impulsionar o crescimento do mobile banking é a demanda por informações cada vez maior, algo que, segundo o especialista, já não pode mais ser atendido pelo banco de uma maneira tradicional.

“Que tipo de informação um cartão plástico pode te dar? Ele pode apenas dizer ‘sim’ ou ‘não’, ‘aprovado’ ou ‘rejeitado’. No mundo de hoje, isso não é bom o suficiente.”

Comportamento dos bancos

Segundo a Febraban, embora o número de transações nas agências venha sendo reduzido, o espaço da agência bancária ainda é um local importante para o relacionamento com os clientes.

“Isso gera uma mudança no perfil do tipo de relacionamento disponibilizado, que deve possuir um caráter mais consultivo.”

Segundo Brett, é importante que os bancos invistam em uma abordagem ampla, integrando todos os canais disponíveis e intensificando o relacionamento com os clientes por meio das redes-sociais, especialmente na América Latina onde, segundo ele, a população é bastante ativa. Mas ele aposta que, dentro de alguns anos, o número de agências vai diminuir de forma significativa.

“A agência é uma forma muito ineficiente de fazer ‘banking’ hoje em dia. É uma infraestrutura cara se você levar em conta que um correntista médio vai entre duas e três vezes ano à agência e os usuários dos aplicativos acessam suas contas pelo menos três vezes por dia”.