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19/08/2014 18:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Morte de Simin Behbahani: literatura e luta se misturam na vida da poetisa conhecida como "Leoa do Irã"

Por Michelle Moghtader DUBAI (Reuters) - A poetisa Simin Behbahani, defensora dos direitos das mulheres e da liberdade de expressão cujos versos captaram as esperanças e decepções dos iranianos desde

BEHROUZ MEHRI via Getty Images
Iranian poet and women rights activist Simin Behbahani walks past a banner reading 'one million signatures to change the biased laws' and bearing a scale balancing female and male symbols during a press conference in Tehran, 27 August 2007. Iranians petitioning to achieve equal rights for women and men in Iran said today they hoped that their efforts would help change people's mentalities on the matter. AFP PHOTO/BEHROUZ MEHRI (Photo credit should read BEHROUZ MEHRI/AFP/Getty Images)

A poetisa Simin Behbahani, defensora dos direitos das mulheres e da liberdade de expressão, morreu nesta terça-feira (19) aos 87 anos. Depois de quase duas semanas no hospital Tehran Pars, ela morreu em decorrência de problemas cardíacos e respiratórios, de acordo com a agência de notícias Irna. Ela estava quase cega.

Indicada duas vezes indicada ao Nobel de Literatura (1999 e 2002), ela foi agraciada com o título informal de “Leoa do Irã” pela coragem que mostrou diante da censura oficial, segundo seus admiradores. Behbahani foi capaz de captar em versos as esperanças e decepções dos iranianos desde a revolução de 1979. Ela verbalizou os ânimos esperançosos, e depois desconsolados, do Irã contemporâneo pós-revolução, usando a forma poética conhecida como gazel, existente há 1.100 anos.

Após a eleição presidencial de 2009, Behbahani acrescentou sua voz aos manifestantes que foram às ruas para protestar contra uma suposta fraude eleitoral. Daí nasceu o poema “Parem de atirar meu país aos quatro ventos”.

“Até agora eu disse o que tinha a dizer, sempre disse que sou contra a morte, contra a matança e contra o aprisionamento”, declarou ela ao serviço persa da rede BBC em 2012.

Filha de leões, leoa é

Simin nasceu numa família de escritores e aprendeu em casa a amar a literatura e o jornalismo. Sua mãe, Fakhr Ozma Arghon, foi uma destacada feminista, professora, escritora, editora de jornal e poeta, e seu pai, Abbas Jalili, também foi um renomado escritor e editor de jornal.

Começou a escrever poesia aos 12 anos; dois anos depois, seu primeiro livro de poemas foi publicado. Ao longo da vida, publicou mais de 600 poemas, reunidos em 19 livros de poesia, duas coleções de contos curtos, uma biografia de seu segundo marido, o falecido Manouchehr Koushiar, e vários artigos literários, ensaios e entrevistas. Também compôs mais de 300 canções para alguns dos mais famosos cantores iranianos.

"Livro após livro, um poema profundo após outro, Behbahani pintou retratos em miniatura de seu país ao longo das décadas. Deu voz aos desejos do povo iraniano, escreveu uma crônica de suas esperanças e desilusões e documentou com orgulho e precisão a heroica resistência e subversão criativa de sua nação e dela mesma", destacou seu site.

Behbahani foi uma das vozes defensoras da liberdade de expressão em seu país, o que lhe valeu diversos prêmios internacionais, como o Prêmio de Direitos Humanos Hellman/Hammett (em 1998), o Carl Von Ossietzky de Direitos Humanos (1999) e o Prêmio à Liberdade de Expressão da União de Escritores da Noruega (2007).

Também obteve o prêmio literário Bita Daryabari da Universidade de Stanford (2008) e o Latifeh Yarshater Book Award (2004). Há quatro anos a polícia a impediu de sair do país e confiscou seu passaporte quando se preparava para viajar à França para dar uma conferência sobre feminismo.

Entre suas obras poéticas mais conhecidas estão Tar-e Shekasteh ("O luto quebrado"), Jay-e Pa ("A marca de seu pé"), Chelcheragh ("Quarenta lâmpadas") e Marmar ("Mármore").

(Com agências internacionais)