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19/08/2014 20:00 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Em dia de reuniões, deputado Beto Albuquerque é escolhido como o vice de Marina Silva na chapa do PSB

Wesley Santos/AE/Estadão Conteúdo

O deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS), líder do partido na Câmara dos Deputados, será o vice na candidatura de Marina Silva ao Palácio do Planalto. A informação foi publicada pelo jornal Folha de S. Paulo e pelo blog do jornalista Gerson Camarotti, do G1. No início da noite, a sigla confirmou a informação de maneira oficial.

A terça-feira (19) foi mais uma vez cheia de reuniões, assim como da missa de sétimo dia da morte de Eduardo Campos, realizada em Recife. A chapa deve ser oficializada nesta quarta-feira (20), às 15h.

"(O PSB) entende que a melhor opção partidária na triste circunstância imposta pela tragédia, é para o PSB e para a coligação Unidos pelo Brasil convidar os companheiros Marina Silva e Beto Albuquerque para liderar nossa chapa presidencial", afirmou a nota assinada por Amaral.

O nome de Albuquerque possui justamente os elementos considerados indispensáveis pela cúpula do PSB para a vaga de vice: é um nome que tem ligação orgânica com a legenda, que defende o legado de Eduardo Campos e tem proximidade com Marina – que entrou no PSB porque não conseguiu registrar seu partido, Rede Sustentabilidade a tempo de disputar as eleições neste ano. A possibilidade desse nome ser o de Renata Campos, esposa do ex-governador de Pernambuco, já havia sido descartada na segunda-feira.

Ainda na segunda-feira (18), reportagem da revista Época dizia que aliados de Albuquerque já davam a fatura como liquidada. Na tarde desta terça-feira, horas antes do anúncio oficial, Albuquerque deu um indicativo de que seria mesmo o vice.

Postagem desta terça-feira na página de Beto Albuquerque no Instagram (Reprodução)

Enquanto isso, a cúpula da Rede Sustentabilidade vai se reunir nas próximas horas com Marina em Brasília, a fim de discutir os termos colocados pelo PSB para que ela assuma a condição de cabeça de chapa no lugar de Campos. A senadora Lídice da Mata (BA) e a deputada Luiza Erundina (SP) – ambas do PSB – devem ser convidadas a participar do encontro. Um dos maiores entraves nas negociações para Marina assumir repousa justamente nessa área.

Havia o temor por parte de correligionários da Rede de que Marina tivesse de assinar uma carta com obrigações junto às coligações regionais do PSB, situação que poderia fazer com que ela tivesse, por exemplo, de subir no palanque de Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo, sendo que ela sempre foi contra essa aliança com os tucanos. Contudo, o presidente nacional do PSB Roberto Amaral disse que ela não será obrigada a nada, ficando livre para tomar as decisões que julgar convenientes.

“Não vamos apresentar condicionantes à Marina”, disse Amaral. A reunião do PSB que aconteceria nesta terça-feira em Brasília acabou cancelada. O partido agora só se reunirá com os partidos da coligação (PPS, PPL, PRP, PHS e PSL) na quinta-feira (21). Mas isso não influirá no anúncio oficial da candidatura de Marina, completou Amaral, que está marcada para esta quarta-feira.

Partido tem estratégia para aproximar Marina do agronegócio

A morte de Eduardo Campos reascendeu uma certa resistência ao nome de Marina Silva junto ao setor agrícola brasileiro. Assim, o PSB está compilando em um documento as propostas feitas há duas semanas pelo então candidato Campos, em uma sabatina na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Galeria de Fotos Conheça os possíveis vices de Marina Veja Fotos

A ideia – defendida pela ala do partido com bom trânsito no setor produtor rural – é tentar convencer Marina, que deve assumir a cabeça de chapa socialista após a morte de Campos em um acidente aéreo, a subscrever o texto numa tentativa de acalmar o setor. Um aceno ao segmento é visto como importante também para diminuir perdas de arrecadação entre o agronegócio com a substituição da candidatura.

Responsável por mais de 40% das exportações e por cerca de 23% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, o agronegócio nutre forte resistência com relação a Marina. Quando ministra do Meio Ambiente, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marina e o segmento entraram em rota de colisão em diversas ocasiões.

Dentre os tópicos que devem constar no texto e que foram defendidos por Campos na sabatina da CNA, está o reconhecimento do novo Código Florestal como a legislação ambiental a ser cumprida no País. Nas discussões em torno da norma, o grupo ligado a Marina promoveu uma campanha contra o texto aprovado e posteriormente sancionado pela presidente Dilma Rousseff, por considerá-lo um retrocesso. No evento da CNA, Campos também defendeu a "consolidação" do Cadastro Ambiental Rural (CAR), instrumento para a regularização ambiental de propriedades e posses rurais.

Marido de Marina deixa governo petista no AC

Fábio Vaz de Lima, marido de Marina Silva, pediu exoneração do cargo de secretário adjunto que ocupava no governo do Acre, comandado pelo petista Tião Viana. O decreto foi publicado na edição desta terça-feira do Diário Oficial do Estado. No ano passado, mesmo após Marina se filiar ao PSB para ser vice de Eduardo Campos, Lima decidiu permanecer no governo do PT.

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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