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18/08/2014 21:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Sob clima tenso, Dilma defende continuidade rumo a novo ciclo de crescimento do País em sabatina do Jornal Nacional

Reprodução/TV Globo

A tensão dominou os 15 minutos da sabatina do Jornal Nacional desta segunda-feira (18), que teve como entrevistada a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição por mais quatro anos. A conversa, realizada no Palácio do Planalto, foi a terceira realizada pelos jornalistas William Bonner e Patrícia Poeta. E foi também a mais tensa.

A reportagem do Brasil Post separou os principais trechos da entrevista. Acompanhe:

Corrupção nos governos petistas

“Nós fomos justamente aquele governo que mais estruturou os organismos de combate à corrupção. A Polícia Federal, no meu governo e no do presidente Lula, ganhou imensa autonomia para investigar, descobrir e prender. Além disso, tivemos uma relação respeitosa com o Ministério Público. Nenhum procurador foi chamado de ‘engavetador geral’, porque escolhemos com absoluta isenção os procuradores. Fomos nós que criamos a Controladoria Geral da União (CGU), que se transformou em um órgão forte que investigou e descobriu novos casos. Quarto, criamos uma lei de acesso à informação, o Portal da Transparência, mas quero dizer que nem todas as denúncias resultaram em constatação que a pessoa tinha que ser punida, pelo contrário: muitos daqueles identificados pela mídia como tendo feito atos indevidos foram inocentados.

Continuando o que eu estava dizendo, nem todas as pessoas denunciadas foram punidas pelo Judiciário. Muitas se afastaram porque é muito difícil resistir à pressão da família ou a apresentação da pessoa como criminosa. Recentemente fui criticada por ter substituído o César Borges pelo Paulo Sérgio (na pasta dos Transportes). O Paulo foi ministro meu e do presidente Lula. Quando ele saiu, o César Borges o substituiu e posteriormente fiz a troca, ao contrário, sendo que o César Borges seguiu no governo, na secretaria dos Portos. Os dois eu escolhi porque confio. Os partidos podem fazer exigências, mas só aceito quando vejo que ambos são pessoas íntegras e competentes, com tradição na área. Troquei porque tinha confiança nessas pessoas”.

Mensalão e ‘injustiça’ com petistas

“Vou te falar uma coisa: sou presidente da República e não faço observação sobre julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) por um motivo simples. A Constituição exige que o presidente, como exige dos principais chefes de governo, que respeitemos e consideremos a autonomia de outros órgãos. Não julgo ações do Supremo, tenho minhas opiniões pessoais. Enquanto for presidente eu não externo a minha opinião sobre julgamentos do STF. Não é a primeira vez que respondo isso, mas durante todo o processo eu não manifestei opinião. Não tomarei posição que me coloque em confronto ou conflito, aceitando ou não eu respeito a decisão. Não é uma questão subjetiva”.

Saúde e Mais Médicos

“Nós tivemos e temos desafios a enfrentar na saúde. Acredito que enfrentamos um dos mais graves desafios na saúde, porque você precisa ter médicos. Pode ter tudo, mas sem médicos não é possível (atender). Se você olhar o lado da população, ela sempre reclamou que faltam médicos. Tivemos uma atitude corajosa, já que tínhamos 1,8 médicos por habitante, que é uma das mais baixas. É sabido que 80% dos problemas de saúde você consegue resolver com atenção básica, então que medida tomamos? Com muita resistência, chamamos os médicos brasileiros, precisávamos de 14 mil, mas obtivemos um número insuficiente. Na sequência chamamos brasileiros e não-brasileiros do exterior, não chegamos ao número. Então vieram os cubanos, aí atingimos o número de 14 mil, o qual, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) tem capacidade para o atendimento de 50 milhões de brasileiros. Eles não tinha atendimento e hoje têm. Estamos a caminho da segunda etapa...

Acho que o Brasil precisa de uma reforma federativa. Nós assumimos o caso do Mais Médicos como responsabilidade federal, ela é compartilhada, mas temos mais recursos. Veja o resto do raciocínio, veja qual é a sequência disso, no que consideramos importantes duas coisas: tratar as especialidades, com ortopedista, ginecologista, cardiologista, com exames rápidos, enfrentando o problema e hoje temos condição de resolver. Diminuímos a pressão, todo mundo não era atendido... nesses três mandatos (do PT) nós tivemos (a implantação do Samu) para 149 milhões de brasileiros”.

Crise econômica e inflação

“Primeiro, nós enfrentamos a crise pela primeira vez no Brasil sem desempregar, sem diminuir o salário. Qual era o padrão anterior? Eu não sei de onde são os seus dados Bonner, mas temos duas coisas acontecendo: temos a melhoria prevista para o segundo semestre. Tem uma coisa na economia chamada índices antecedentes, que evidenciam a situação atual, como a quantidade de papelão comprada, a energia elétrica produzida ou o número de carros vendidos. Todos os índices indicam recuperação, a inflação cai desde abril. Se você não olhar pelo retrovisor e olhar o que acontece hoje, a inflação está em 0%. Para mim, estamos superando as dificuldades sem demitir”.

“Novo ciclo de crescimento”

“Fui eleita para dar continuidade aos avanços do governo do presidente Lula, ao mesmo tempo que preparamos o País para um novo ciclo de crescimento, com um Brasil mais competitivo. Criamos condições para dar um salto com a educação no centro de tudo. Nós queremos continuar a ser um País da classe média, com participação ainda maior. Queria concluir, eu acredito no Brasil. Todos precisamos diminuir o pessimismo. Peço o voto dos brasileiros para o País continuar crescendo”.

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