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15/08/2014 14:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Parque Chácara do Jockey: moradores discutem projeto para nova área verde de SP nesta sexta-feira (VÍDEO)

Moradores e lideranças do movimento que conseguiu a criação do Parque Chácara do Jockey, no Butantã, zona oeste de São Paulo, se reúnem nesta sexta-feira (15), a partir das 19h30, para discutirem ideias e sugestões para o projeto do novo espaço de lazer da região. A meta do grupo é apresentar todo o teor da discussão à Prefeitura da capital, com o objetivo de atender às demandas de quem espera usufruir da área, a ser aberta ao público ainda neste ano.

“Algumas propostas estão sendo colocadas e precisamos da população para vetarmos isso. A opção é PARQUE e nenhuma outra opção imposta pela prefeitura será aceita, como instalação de subprefeitura e demais órgãos do governo. Para isso precisamos da presença de moradores locais, amigos, familiares e pessoas de outras regiões para reforçarmos o futuro do mesmo. Depois não teremos mais como alterar as propostas solicitadas pela população”, diz a página criada para o evento no Facebook.

Os moradores trabalham com a data de entrega para o dia 30 de novembro deste ano, mas essa previsão não é confirmada pelo governo municipal. O que está certo é que os 151 mil metros quadrados da Chácara do Jockey – equivalente à soma dos parques da Aclimação e Buenos Aires – atenderão a uma demanda popular de mais de 30 anos e que já consta no Plano Diretor, conforme relembrou o prefeito Fernando Haddad, em cerimônia realizada no local no mês passado. Haddad, aliás, é aguardado na reunião.

“Soube pelo Jornal de Pinheiros que a primeira matéria sobre o assunto data de 1980, portanto é uma demanda de 34 anos que está sendo concretizada agora”, comentou o prefeito, em declarações reproduzidas pelo site da prefeitura. Com base no que foi publicado no Diário Oficial do município há pouco mais de um mês, a Secretaria de Negócios Jurídicos autorizou o repasse de R$ 63.915.332,57 “para fins de desapropriação”. O valor ajudará a abater parte dos R$ 133 milhões que o Jockey Club de SP deve de IPTU à capital.

Decreto oficializando o acordo, no mês passado (Reprodução/Diário Oficial)

“Para nós é importante que o Jockey tenha saúde financeira para se recuperar, sobretudo em função do patrimônio histórico e do peso simbólico que ele tem para a cidade. Como é um grande acerto de contas que está se fazendo, vai ser bom para todo mundo, sobretudo para a comunidade. Tenho certeza que a comunidade paulistana quer o Jockey, Hipódromo, recuperado, porque ali é patrimônio tombado e quer essa chácara transformada em parque. É isso que vai acontecer”, completou Haddad.

O novo espaço tende a ser uma alternativa para o Parque Ibirapuera, sobretudo aos finais de semana. Apesar do valor previamente definido, a Justiça deve se pronunciar ainda neste mês, apontando o montante exato que deverá ser repassado como abatimento da dívida. As discussões no fim do ano passado apontavam uma diferença de R$ 230 milhões entre o que a prefeitura aceitava pagar e o que a direção do Jockey acreditava valer a área, conforme noticiou o R7. Isso causou por muitos anos a especulação imobiliária da área, o que causava o temor dos moradores da região.

“São mais de 150 mil metros quadrados de área verde, onde vamos encontrar uma área verde desse tamanho em São Paulo?”, comentou o padre Darci Bortolini, da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no Butantã, um dos entusiastas do projeto do parque. Segundo informações divulgadas neste mês pela Rádio CBN, a prefeitura planeja que os estábulos deverão se tornar espaços para artistas da cidade.

De acordo com o presidente do Jockey, Eduardo da Rocha Azevedo, o acordo foi feito com a entidade “abrindo mão de certos direitos”, mas garantindo, por exemplo, a manutenção da escolinha de futebol Pequeninos do Jockey na área. Azevedo disse também que não descarta recorrer à Justiça, caso o valor de abatimento que será definido não seja aquele que os dirigentes julguem adequado. Mas essa discussão não deve afetar as pequenas melhorias que a prefeitura pretende fazer, o que só não foi feito em razão de questões burocráticas – como repasse da posse do local.

Outro entrave é a discussão sobre o assunto requerida pelo vereador Adilson Amadeu (PTB), o mesmo que teve vetado por Haddad neste ano o projeto que acabava com o rodízio na capital paulista. O parlamentar considera o valor “elevado” para o parque e pediu esclarecimentos.

Vereador quer explicações sobre novo parque no Butantã (Reprodução/Diário Oficial)

Situação diferente do Parque Augusta

Com criação oficializada pela prefeitura seis meses antes da Chácara do Jockey, o Parque Augustasegue aguardando para de fato virar uma realidade. Embora criado, não há dotação orçamentária neste ano para a aquisição da área, localizada na confluência da rua Augusta com a rua Caio Prado e a rua Marques de Paranaguá. Nos últimos dois meses, vereadores da oposição citaram a questão do parque em várias sessões, criticando Haddad.

“A prefeitura sancionou, no ano passado, um projeto que é a criação do Parque Augusta, mas agora diz que não tem dinheiro”, disse o vereador tucano Aurélio Nomura, em sessão realizada na Câmara Municipal no mês passado. O preço sugerido para desapropriação da área, que pertence a uma incorporadora que quer construir duas torres no local, é de R$ 100 milhões, valor “impraticável”, segundo o prefeito disse reiteradas vezes no último ano.

A expectativa é que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do próximo ano, em discussão na Câmara, apresente dotação de um valor para que a área do parque seja adquirida. Todavia, o próprio Haddad já sugeriu, no início deste ano, que uma composição com a construção das torres e uma área para o parque – algo já sugerido pela empresa dona do terreno – é o mais viável e barato. Os moradores e coletivo que lutam pelo parque são contra.

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