NOTÍCIAS
15/08/2014 09:44 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Morte de Eduardo Campos: Marina exigirá união do PSB para se lançar candidata a presidente

MURILLO CONSTANTINO/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ES

Marina Silva apresentará condições para substituir Eduardo Campos, morto em um acidente de avião em Santos nesta quarta-feira, como candidata da coligação liderada pelo PSB à Presidência da República. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, Marina não quer assumir a candidatura “às escuras” e exigirá um vice “confiável”, capaz de unir as diversas alas do partido que era comandado com mãos de ferro por Campos.

Ainda segundo o jornal, o vice precisaria preencher três requisitos: lealdade a Eduardo Campos, confiança de Marina e capacidade de unir as alas petista e tucana do PSB.

Marina, que foi candidata a presidente da República em 2010 e ficou em terceiro lugar com cerca de 20 milhões de votos, está reclusa em sua casa em São Paulo desde quarta-feira, após breve e emocionada declaração sobre a morte trágica de Eduardo Campos, e só deve discutir o futuro da candidatura após o enterro do governador de Pernambuco, cuja data ainda não está definida.

Já segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o PSB deve garantir apoio a Marina, mas exigirá garantias de que ela respeitará acordos estaduais que haviam sido fechados por Campos como, por exemplo, o apoio a candidatos do PSDB em São Paulo e no Paraná. Marina era contra acordos com o PSDB por achar que eles prejudicariam a ideia de que o Brasil precisa romper com a polarização entre tucanos e petistas que domina a política brasileira há 20 anos.

Segundo o Estado, o presidente do PSB, Roberto Amaral, convocou uma reunião da executiva nacional do partido para quarta-feira, 20, para decidir se a legenda terá candidato a presidente e quem será o substituto de Eduardo Campos. "A tendência é o partido ter candidato", afirmou Amaral ao Broadcast Político, serviço em tempo real do Grupo Estado. Amaral seria um dos líderes do PSB refratários à candidatura Marina.

Marina entrou no PSB no segundo semestre de 2013 após a Justiça negar o registro da Rede Sustentabilidade, partido que ela pretendia criar para disputar a Presidência, por falta do número de assinaturas necessário para a criação de um partido. Na ocasião, ela surpreendeu o mundo político ao se filiar ao PSB e apoiar a candidatura presidencial de Eduardo Campos, menos conhecido nacionalmente que ela.

Desde então, Marina e Campos se aproximaram e desenvolveram uma relação de amizade e confiança, mas Marina não tem a confiança do PSB como um todo nem controla o partido.

Ainda segundo a Folha, a viúva de Campos, que era chamada por ele de dona Renata, quer que Marina seja candidata a presidente para representar a família Campos. Nesta quinta-feira, Antônio Campos, único irmão de Eduardo, defendeu a candidatura de Marina.

Segundo a Folha, a decisão sobre quem substituirá Campos passará pela benção de Renata.

A decisão sobre a substituição de Eduardo Campos só deverá ocorrer, no entanto, após o velório e o enterro do ex-governador de Pernambuco e das demais vítimas do acidente aéreo. Os restos mortais continuam no IML de São Paulo, onde estão sendo identificados. É provável que esse trabalho termine até sábado, quando haverá o traslado para Pernambuco e, depois, as cerimônias fúnebres.

O Datafolha deve trazer, nos próximos dias, uma pesquisa de intenção de voto já trazendo Marina como candidata a presidente. O levantamento, que começou a ser feito nesta quinta, também terá a opção em que o PSB não tenha candidato.

O PSB tem até dez dias a contar do dia da morte de seu candidato para decidir quem o substituirá, ou seja, até 23 de agosto. O horário eleitoral gratuito, no entanto, começa na próxima terça-feira, 19. Na noite de quinta-feira, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), José Antonio Dias Toffoli, rejeitou pedido de adiamento por três dias do início do horário eleitoral.

O pedido havia sido feito pelo PV após o acidente de Eduardo Campos, mas Toffoli disse que “não há como postergar o início da propaganda gratuita, pois a matéria é estabelecida em legislação eleitoral e não por ato de vontade da Justiça Eleitoral.” Ele afirmou que apenas se houver consenso entre todos os candidatos sobre o adiamento, o plenário do TSE poderá avaliar a questão.

Se o início do horário eleitoral for mantido para a próxima terça, PSB, PT e PSDB devem abrir seus programas com homenagens a Eduardo Campos.