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13/08/2014 20:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Morte de Eduardo Campos: avião que caiu em Santos apresentou problemas no PR, diz deputado

Reprodução/Facebook

O avião Cessna 560XL, prefixo PR-AFA, que caiu na manhã desta quarta-feira (13) em Santos (SP), matando o candidato à Presidência da RepúblicaEduardo Campos (PSB) e mais seis pessoas, teria apresentado problemas há quase dois meses no Paraná. A informação foi publicada pelo jornal Gazeta do Povo, tomando por fonte o deputado estadual Wilson Quinteiro (PSB), líder do partido na Assembleia Legislativa do Paraná.

Campos esteve realizando agenda eleitoral no interior paranaense no dia 16 de junho. Durante a visita, a aeronave – que pertencia à empresa AF Andrade Empreendimentos e Participações, de Ribeirão Preto (SP) – teria apresentado um problema de ignição, o que impediu que o avião fizesse o trajeto entre Londrina e Maringá. A comitiva do peesebista acabou tendo de viajar de carro entre as duas cidades.

“Quando soube do acidente pela televisão, achei muita coincidência porque era o mesmo modelo de aeronave. Agora, já se sabe que era de fato o mesmo avião. Eles acabaram vindo de carro de Londrina para Maringá e chegaram atrasados ao evento. Na chegada, o próprio Eduardo me falou que houve um problema no sistema elétrico, na ignição da aeronave. Depois, a empresa mandou outra aeronave a Maringá, que os levou até o Rio de Janeiro”, afirmou Quinteiro ao jornal.

A reportagem do Brasil Post conversou com o deputado estadual paranaense no fim da tarde desta quarta-feira. Questionado por telefone sobre o teor da reportagem publicada pela Gazeta do Povo, Quinteiro disse “desconhecer” o assunto e não quis fazer outros comentários. Mais cedo, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou ao Brasil Post que a situação do avião em questão era regular e não apresentava nenhuma restrição.

Galeria de Fotos Avião cai em Santos e mata Campos Veja Fotos

Na época do problema com a aeronave, Campos – que estava acompanhado de Marina Silva – deixou o Paraná em outro avião, também cedido pela AF Andrade Empreendimentos. O Brasil Post procurou a empresa, mas não obteve retorno.

Ao site da Veja São Paulo, um piloto declarou que voou com o Cessna que caiu em Santos, com Eduardo Campos a bordo no primeiro semestre deste ano, e que a aeronave “nunca deu problema”.

Fadiga de pilotos pode ter contribuído, diz sindicato

O presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) Marcelo Ceriotti afirmou ao jornal Folha de S. Paulo que a entidade recebeu uma denúncia de que os pilotos da aeronave que levava Campos, Geraldo Cunha e Marcos Martins, poderiam estar trabalhando além do que é permitido por lei. A condição de fadiga dos profissionais poderia ter relação com o acidente, segundo ele.

“Piloto não pode trabalhar cansado e a fadiga pode ter sido um dos fatores contribuintes para esse acidente”, comentou Ceriotti ao jornal.

No Facebook, Marcos Martins deu mostras de que a rotina ao lado de Campos vinha sendo mesmo puxada.