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13/08/2014 09:51 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Lava Jato: tesoureiro do PT esteve em empresa de doleiro, diz Folha

Roosewelt Pinheiro/ABr

Reportagem da Folha de S. Paulo revela que o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, esteve na sede de uma das empresas usadas pelo doleiro Alberto Youssef em esquema bilionário de lavagem de dinheiro um mês antes de a Polícia Federal realizar prisões da Operação Lava Jato.

Vaccari admitiu ter ido encontrar Youssef, mas não revelou o motivo. "Conheço o sr. Alberto Youssef, mas não tenho nenhum relacionamento com ele. Na data citada estive no local, mas fui informado de que ele não se encontrava", disse ao jornal.

Segundo relatório da Polícia Federal, o petista esteve na GFD Investimentos por quatro minutos em 11 de fevereiro. A operação Lava Jato começou em 17 de março, com a prisão de cinco doleiros, incluindo Youssef.

De acordo com a Folha, Vaccari é homem de confiança do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e ligado ao ministro Ricarod Berzoini (Relações Institucionais), além de comandar as contas do partido desde 2010.

Não é a primeira vez que o nome do petista aparece em esquemas de corrupção. Vaccari foi acusado pelo Ministério Público de participar de desvio de dinheiro na Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo) em 2002. Ele diz que é perseguido por promotores.

Ex-funcionária abre o jogo

O jornal informou que, de acordo com relatório da PF, a contadora Meire Poza, que prestava serviços à GFD Investimentos, afirmou que a empresa não tinha "atividades comerciais de fato" e que recebia recursos de construtoras em troca de emissão de notas fiscais, sem a respectiva prestação de serviços.

Meire foi convidada para a GDF por Enivaldo Quadrado, então diretor financeiro da empresa. Ele foi condenado no julgamento do mensalãopor usar sua corretora no esquema de desvio de dinheiro para compra de apoio parlamentar no primeiro governo Lula.

Quadrado trabalhava na sede da GDF até o esquema de corrupção ser revelado. Em relatório, a PF afirma que ele citou o nome de Vaccari em email em fevereiro de 2012 sobre o fundo de previdência da Petrobras, Petros. A mensagem levou a investigação a suspeitar de envolvimento do petista nos negócios da Petro com Youssef, diz o jornal.

Por meio da assessoria do PT, Vaccari afirmou não conhecer Quadrado. "Também não fiz qualquer tipo de intermediação entre a GFD e o Fundo Petros", disse.

Meire Poza depõe hoje no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados no processo de quebra de decoro parlamentar contra o deputado Luiz Argolô(SDD-BA), suspeito de envolvimento com Youssef.

Em entrevista à Veja desta semana, a contadora afirmou que o doleiro circulava com malas de dinheiro em esquema de lavagem supostamente usado por políticos do PT, PMDB e PP.

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