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12/08/2014 09:58 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:47 -02

OMS aprova tratamento experimental para curar Ebola

TIM BRAKEMEIER via Getty Images
Infectious disease specialist Florian Steiner (L) and quarantine office leader Thomas Klotzkowski disinfect themselves during a demonstration of the proceedings at the ward of Berlin's Charite hospital on August 11, 2014. The quarantine ward is prepared to receive persons sick with tropical diseases, like people infected with the deadly Ebola virus for example. AFP PHOTO / DPA / TIM BRAKEMEIER / GERMANY OUT (Photo credit should read TIM BRAKEMEIER/AFP/Getty Images)

O Comitê de Etica da Organização Mundial da Saúde aprovou nesta segunda (11) o uso de tratamentos experimentais para tentar brecar o surto de Ebola.

Após a reunião de médicos do mundo todo em Genebra na Suíça, o órgão divulgou um comunicado aprovando, diante das circunstâncias da epidemia, o uso de substâncias "cuja eficácia ainda não foi demonstrada, assim como seus efeitos colaterais".

A aprovação veio depois que dois médicos americanos foram submetidos a um coquetel de anticorpos chamado ZMapp. O tratamento ultraexperimental nunca havia sido testado em humanos antes, mas apresentou resultados bastante positivos.

A utilização do medicamento suscitou um questionamentos éticos. Afinal, por que apenas alguns teriam acesso ao "soro milagroso" enquanto outros morrem empilhados nas ruas, sem atendimento básico? E, por outro lado, seria seguro aplicar, em escala mundial, um tratamento que só foi testado em macacos e ratos?

Como informou o New York Times, para utilizar o ZMapp, é preciso que o governo do país aprove o uso da droga e o paciente esteja consciente dos riscos envolvidos.

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Como publicou o Brasil Post na semana passada, o Ebola só é transmitido por contato com o sangue e/ou outros fluídos corporais. Ele não se espalha pelo ar.

Seu rápido alastramento, apontam especialistas, se deve muito menos à inexistência de tratamentos e vacinas específicas do que à falta de medidas sanitárias de aplicação simples, como enterrar direito as vítimas fatais da doença e isolar os pacientes, tirando-os de casa e levando-os ao hospital.

Além de dúvidas sobre a segurança da medicação, há, ainda, a possibilidade de que o tratamento seja ineficaz.

Sob cuidados médicos, cerca de 40% dos pacientes se curam sozinhos do Ebola - ou seja, é possível que a melhora dos dois médicos americanos tenha sido espontânea. O terceiro paciente submetido ao tratamento, um missionário espanhol, morreu nesta terça (11).

Segundo o balanço mais recente da OMS, a propagação do Ebola já fez 1.013 mortos e infectou 1.848 pessoas. A epidemia levou a OMS a decretar o status de emergência de saúde pública mundial.