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12/08/2014 09:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:47 -02

Fábio Hideki Harano celebra liberdade com servidores da USP e manda recado para PMs

O servidor público Fábio Hideki Harano, preso por 46 dias em São Paulo, reencontrou amigos e colegas na assembleia do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp) nesta segunda-feira (11).

Celebrando a liberdade, o ativista agradeceu ao apoio da rede de solidariedade a ele, formada desde o fim de junho, quando ele foi levado para a prisão, sob a alegação de que portava explosivos e de que liderava black blocs.

"Se não fosse por isso [apoio de todo mundo], seria capaz de eu ainda estar mofando na cadeia", afirmou.

Apesar de estar bastante tranquilo, Hideki disse que tem sido cauteloso e falado pouco. Ao pegar o microfone da assembleia do Sintusp, mandou recado para os "P2", serviço reservado de inteligência da Polícia Militar.

"Vou tomar cuidado porque esta aqui é uma declaração pública: queria dar um tchau e um oi para os P2", disse. "A gente tem que tomar cuidado para não falar mais que a boca; tem uns P2 que estão doidos para anotar o que eu tô falando. Então, filma eu, Galvão", ironizou.

Desde o suposto flagrante, no dia 23 de junho, vídeos mostravam que Hideki não carregava artefatos. Testemunhas endossaram a tese; quem conhece Hideki sempre defendeu sua inocência.

Entretanto, a tese defendida pela Polícia Civil de São Paulo, pela Secretaria de Segurança Pública e pelo governador Geraldo Alckmin – e encampada pelo Ministério Público e aceita pelo Tribuna de Justiça do estado – só foi desmontada no início deste mês, com a divulgação de laudos policiais concluindo que Hideki e outro manifestante preso, Rafael Marques Lusvargh, não portavam explosivos.

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Processo

Apesar de revogado o pedido de prisão contra Hideki, ele ainda é réu nos crimes de associação criminosa, incitação ao crime, porte de explosivo e desobediência.

Por isso, o servidor da USP sabe que tem uma jornada árdua pela frente. "Estou aliviadíssimo por finalmente me encontrar em relativa liberdade e todo o apoio que recebi foi e está sendo de enorme importância", disse ao jornal do Sintusp.