COMPORTAMENTO
12/08/2014 20:23 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Em nome da arte, Mischa Badasyan fará sexo com 365 pessoas diferentes em um ano

Mischa Badasyan, artista performático de 26 anos, tem feito uma carreira interessante. Seus trabalhos levam uma leitura moderna da sexualidade. Em seu mais recente projeto, a performance "Save the Date", o russo radicado em Berlim quer fazer sexo com uma pessoa diferente por dia, durante um ano.

Tudo em nome da arte.

A partir de setembro, Badasyan pretende transar com alguém diferente todos os dias para levantar questões sobre o hábito do sexo casual na cultura gay — sobretudo numa época em que aplicativos como Grindr facilitam tanto o encontro de parceiros — e a solidão que isso gera.

Um elemento presente na performance é o conceito de não-lugar apresentado pelo filósofo francês Marc Augé. No livro Não-lugares, de 1995, Augé cunhou o termo "não-lugar" para designar um espaço que, devido ao caráter transitório, não possue significado algum para as pessoas — sequer pode ser chamado de “lugar”. “Lugares como supermercados, shopping centers, aeroportos, autoestradas”, explica Badasyan ao .Mic. “Lugares onde as pessoas perdem a identidade, não há comunicação, não há o sentimento de pertencimento e isso causa solidão nas pessoas.”

Podemos acreditar que "Save the Date" será uma extensão da frieza nas relações humanos — uma extensão que toca a vida sexual. Uma frieza que brota dos lugares e passa aos homens, que acabam amorfos e frios. "Eu certamente serei como um não-lugar”, diz. “Serei como um supermercado.”

Badasyan se encontrará com homens em locais públicos, como parques e outros espaços considerados “não-lugares”, e irá explorar até onde vai a interação sexual. Esta experiência não será exatamente nova para Badasyan que, durante o tempo em que ficou em Glasgow, “ia a parques todas as noites e fazia sexo com os caras até 5 ou 6 horas da manhã”, conta. “E eu sempre me sentia mal, chorava todo o tempo. Sempre fico triste depois de encontros deste tipo.”

O artista admite ter medo de DSTs, violência sexual e, sobretudo, a depressão causada pela solidão, segundo o Nerve. Mas seu maior medo é se apaixonar durante o percurso — e cair de amores por alguém é algo que ele nunca fez.