NOTÍCIAS
12/08/2014 21:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Eduardo Campos encara questões sobre nepotismo e coerência, mas volta a se colocar como "opção das ruas" nestas eleições

Reprodução/TV Globo

O candidato à Presidência da República Eduardo Campos (PSB) foi o segundo entrevistado pela série de sabatinas do Jornal Nacional, da TV Globo, realizado na noite desta terça-feira (12). O ex-governador de Pernambuco repetiu alguns motes que têm usado nos últimos meses para atacar o governo federal, mas acabou sendo alvo de inúmeros questionamentos, boa parte deles sobre possíveis medidas nepotistas e a coerência em torno da chapa com Marina Silva.

Selecionamos os principais pontos da entrevista de Campos ao JN:

Promessas possíveis ou impossíveis?

“Na verdade só há uma promessa: melhorar a vida do povo brasileiro. A sociedade está apresentando uma nova pauta, com mais educação, com uma saúde melhor do que esse horror que aflige o País, a violência que cresce aos quatro cantos do País. Temos que dar conta de melhorar a qualidade de vida das pessoas, tudo isso através de um programa que fizemos ouvindo técnicos, de gente que já participou do governo. Estamos fazendo conta, tem orçamento.

Muitas pessoas dizem que a reunião do Copom aumentou a taxa de juros em 0,5%. Isso na taxa Selic corresponde a R$ 14 bilhões, é mais do que o passe livre (no transporte) que propomos custa. Estamos fazendo contas, com planejamento, com a inflação no centro da meta, poderemos fazer o Brasil voltar a crescer. Com isso, abriremos espaço para investimentos, com gente competente governando, com pessoas competentes e com as quais poderemos ir para frente”.

7 a 1 da Copa no governo Dilma

“A inflação não pode ser combatida só com mexida na taxa de juros. É preciso ter regras seguras, se elas mudam todo dia elas fazem com que o custo Brasil suba. A falta de logística encarece o produto brasileiro, falta ferrovia, rodovias, portos, e tudo isso encarece o País. O Brasil precisa enfrentar a inflação porque quem vê percebe que o salário não dá para o mês todo. O compromisso 1 é com a inflação no centro da meta e com a retomada do crescimento.

O ano difícil já está sendo esse, com crescimento de menos 1%. O Brasil perdeu de 7 a 1 em campo na Copa do Mundo, e está perdendo de 7 a 1 fora da Copa, com a presidente guardando aumentos da gasolina e da energia elétrica na gaveta. (2015) será um ano que vamos terminar melhor do que 2014. Vamos enfrentar os problemas. A pior coisa é esconder os problemas e não ter a humildade de admitir que estamos com problema de energia. Melhor dizer que choveu menos, que não investimos tanto".

Indicação da mãe para o TCU e nepotismo

“Veja, se a nomeação fosse minha, se dependesse da minha nomeação como governador, seria nepotismo, sendo que fui o primeiro governador a fazer uma lei contra isso no País. Ela (Ana Arraes, mãe de Campos) foi funcionária pública de carreira, eleita duas vezes deputada com mandatos respeitáveis. Ela se candidatou e disputou com outros que também se candidataram, como o (ministro do Esporte) Aldo Rebelo. Ela disputou e foi a única mulher que ganhou no voto e foi ser ministra, e tem feito um trabalho irrepreensível no Tribunal de Contas da União (TCU).

Na hora em que ela saiu candidata ela recebeu apoio do meu partido, se fosse outra pessoa eu também apoiaria, então porque não faria o mesmo se ela tem todos os predicados? Eu nem votei, torci para que ela ganhasse e ela tem feito um trabalho reconhecido, por empenho técnico”.

Questionado se via alguma questão ética no tema, Campos respondeu: “não”.

“Na verdade eles (primo de Campos e de sua mulher) se candidataram na Assembleia Legislativa (de Pernambuco), um outro foi indicado (...). Não foi para julgar as minhas contas não, mas para as vagas no Tribunal de Contas, a vaga era da Assembleia e ele não estava impedido. O outro foi indicado pelo Executivo, respeitando a legislação em vigor”.

Mudanças para o Judiciário

“Acho que a gente precisa, sobretudo, agora que teremos cinco vagas para o Supremo, o Brasil precisa de um comitê de busca, como os feitos pelos institutos de pesquisa, juntando pessoas de notório conhecimento ao lado do presidente para selecionar as pessoas que irão trabalhar. Deve ser feita uma reforma para acabar com os cargos vitalícios que existem na Justiça, oxigenar os tribunais, fazer com que o processo de escolha seja mais impessoal”.

Coerência na chapa com Marina Silva

“A nossa aliança foi feita com diálogo, mostrando que a Marina não tem nada contra o agronegócio, contra a indústria ou contra o desenvolvimento econômico. O que ela vê, e eu também vejo, é que temos de ver o desenvolvimento com respeito ao meio ambiente e com inclusão social. Antes existia apenas um deles, hoje tenta-se conciliar todos eles juntos.

Temos uma aliança que não é feita pela opinião minha ou dela, mas em cima de um programa que iremos lançar nos próximos dias, que conta com a participação da academia brasileira, de militantes, cientistas, todos ajudando para a aliança não ter personalidades, mas sim pensamentos. (Sobre o Código Florestal) eu defendi a posição da Marina (contrária à lei aprovada no Legislativo), a nossa bancada no Congresso rachou, já que haviam parlamentares ligados ao agronegócio em vários Estados. Me coloquei solidário à posição dela”.

Tempos sob a aba do governo petista de Lula

“Não se trata de ambição, trata-se de direito (de se candidatar). Não é porque você apoiou o governo anterior que você é obrigado a segui-lo quando ele não lhe representa mais. Se você for ver o que aconteceu antes das eleições de 2012, nas quais enfrentamos o PT em várias cidades, incluindo Recife, nós já vínhamos em um processo de afastamento. Por quê? Esse governo é o único que vai entregar o Brasil pior do que recebeu, com a economia pior, com a violência e com a relação ruim com o resto do mundo. Estamos oferecendo um caminho para que o Brasil volte a crescer.

O que aconteceu (para Campos e o PSB deixarem o governo federal) foi que o Brasil ia corrigir e aprofundar as mudanças e isso não aconteceu. Isso frustrou e esse governo valoriza a velha política, deixou a inflação voltar e derreteu os empregos. O povo quer solução e isso é fundamental para um novo caminho. O PSDB e o PT governam o Brasil há 20 anos. Precisamos de um novo caminho”.

“Não vamos desistir do Brasil”

“Queria a oportunidade para falar com você de todo o Brasil. Fui governador de Pernambuco por oito anos, tendo sido reeleito com 83% dos votos. Deixei o governo com mais de 90% de aprovação. Governei com poucos recursos um Estado do Nordeste, dei mais com menos a um povo que mais precisa. Ao lado de Marina quero representar a sua indignação, não vamos desistir de lutar pelo Brasil. Vamos criar aqui os nosso filhos, temos que fazer diferente, reunir uma agenda, a da escola integral, a do passe livre, a dos recursos maiores para a saúde, a do enfrentamento ao problema do crack. Vamos juntos”.

LEIA TAMBÉM

- #SabeDeNadaDudu e outras conversas do Twitter sobre Eduardo Campos durante a entrevista no Jornal Nacional