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12/08/2014 13:34 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Começa hoje sindicância para apurar alterações na Wikipédia feitas por rede do Palácio do Planalto

Montagem/Divulgação/Estadão Conteúdo

Começam hoje os trabalhos da sindicância para investigar alterações feitas em perfis de jornalistas e políticos na Wikipédia por computadores do Palácio do Planalto, sede da Presidência da República.

A decisão publicada na terça-feira (12) no Diário Oficial foi anunciada pela presidente Dilma Rousseff no dia anterior. A comissão será chefiada pelo auditor fiscal e secretário-executivo da Casa Civil, Valdir Simão, e terá 30 dias para chegar a uma conclusão.

Representantes de outros três órgãos também estão no comando das investigações: Renato Martini, do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, Maurício Marques, da Secretaria de Administração da Secretaria-Geral da Presidência e Márcio Lopes, assessor especial do Ministério da Justiça. Técnicos do Planalto e da Polícia Federal também estão incluídos na sindicância.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a sindicância irá vasculhar computadores e convocar servidores para depoimento.

Perfis de ministros foram alterados

No primeiro dia de sindicância, reportagem da Exame revelou que o perfil na Wikipédia do ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, foi alterado por computado com IP do Palácio do Planalto em setembro de 2010.

Segundo o site, trecho que relatava acusação de que Carvalho teria participado de esquema de arrecadação de propina de empresas de ônibus na região do ABC em São Paulo foi excluído. Em seu lugar, foram incluídos elogios ao então chefe-de-gabinete do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.

A assessoria de imprensa da Secretaria Geral da Presidência da República declarou à Exame que o ministro desconhece as alterações e que não teria feito nada para modificar o próprio perfil. "O ministro Gilberto Carvalho não é usuário da Wikipédia e não considera relevante um processo que pode ser modificado por qualquer pessoa, sem nenhuma responsabilidade", escreveu a assessoria.

Na segunda-feira (11), a jornalista Cristina Lobo publicou em sua coluna que o perfil da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, adicionou a frase "Possui passagens que não respeitam o princípio da imparcialidade" no início de seu perfil na Wikipédia para atenuar informações negativas no texto.

No site colaborativo, há a acusação de que Isabela teria sido a ministra que mais gastou em viagens, tendo recebido R$ 65 mil em 50 dias em que esteve no exterior. Também consta a informação de que ela teria recebera dinheiro de interessados na área ambiental. Na ocasião, investigação pedida pela ministra revelou que as mudanças foram feitas de um IP do próprio ministério.

Computadores do Palácio do Planalto também alteraram o perfil do ex-ministro da saúde Alexandre Padilha, atual candidato do PT ao governo de São Paulo, para beneficiá-lo.

Jornalistas na mira

A edição da última sexta-feira (8) do jornal O Globo revelou que a rede de internet do Palácio do Planalto foi usada para alterar o perfil de dois jornalistas globais na Wikipédia em maios de 2013.

Referências no jornalismo econômico, Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg foram alvo das mudanças que incluíram críticas e difamações no site colaborativo. As análises de Miriam foram classificadas como "desastrosas e pessimistas". A jornalista também foi acusada de ter defendido de forma apaixonada o ex-banqueiro Daniel Dantas, condenado por corrupção ativa.

Já a credibilidade de Sardenberg foi questionada ao incluir a informação de que ele é irmão de Rubens Sardenberg, "economista-chefe da Febraban, instituição que tem grande interesse na manutenção de juros altos no Brasil, uma medida geralmente defendida também por Carlos Alberto Sardenberg em suas colunas".

Os dois jornalistas desmentiram as informações incluídas e se revoltaram com o conteúdo alterado com o uso da máquina pública.

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