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11/08/2014 19:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:47 -02

"PCs pelados" revelam problemas da Microsoft em mercados emergentes

(Reuters) - Em uma viagem a Pequim uma década atrás, uma autoridade sênior do governo perguntou a Bill Gates quanto dinheiro a Microsoft ganhava na China. A autoridade pediu ao intérprete que

ZACHARIAS ABUBEKER via Getty Images
US businessman, inventor and philanthropist Bill Gates, co-chair of Bill and Melinda Gates Foundation, delivers a speech after receiving an honourary degree during a ceremony at Addis Ababa University in Addis Ababa, Ethiopia, on July 24, 2014. Bill Gates was awarded with an honorary doctorate degree from the University after his long-lasting support of development in Ethiopia. Health and agriculture development are key if African countries are to overcome poverty and grow, US software billionaire Bill Gates as he received an honourary degree in Ethiopia. AFP PHOTO / ZACHARIAS ABUBEKER (Photo credit should read ZACHARIAS ABUBEKER/AFP/Getty Images)

Em uma viagem a Pequim uma década atrás, uma autoridade sênior do governo perguntou a Bill Gates quanto dinheiro a Microsoft ganhava na China. A autoridade pediu ao intérprete que verificasse novamente a resposta de Gates por não acreditar que o número fosse tão baixo.

O problema ainda não desapareceu. O desafio da Microsoft na China mostra um problema mais profundo para a gigante norte-americana de softwares: apesar da popularidade do sistema operacional Windows e do pacote Office, poucos em mercados emergentes estão dispostos a pagar por cópias legítimas.

Isso não custa apenas receita à Microsoft, mas limita a disseminação da versão mais recente, o Windows 8 - analistas dizem que até mesmo quem compra software pirata prefere versões mais antigas. Segundo a StatCounter, site que rastreia software que são executados em computadores conectados à Internet, mais de 90 por cento dos PCs na China - hoje o maior mercado do mundo - estão usando versões do Windows anteriores a 8.

A Microsoft está tentando enfrentar o problema. Neste ano, a empresa está oferecendo Windows 8 com desconto para fabricantes de PCs que instalem seu motor de busca o Bing como padrão. E dá de graça versões do Windows 8 para smartphones e alguns tablets.

Segundo o grupo de lobby antipirataria cofundado pela Microsoft, o BSA, os mercados emergentes respondem por 56 por cento dos PCs em uso, e 73 por cento da pirataria de software. Da receita de 77,8 bilhões de dólares que a Microsoft no ano fiscal de 2013, Brasil e Rússia cada "ultrapassaram" 1 bilhão de dólares, segundo apresentação da Microsoft. Em comparação, a Apple gerou 27 bilhões de dólares na região da Grande China, que inclui Hong Kong e Taiwan, em seu ano fiscal de 2013.

Parte da dificuldade de tratar a pirataria em mercados emergentes é de que cada parte da cadeia apresenta um problema.

Para fabricantes de PCs que trabalham com margens muito magras, o sistema operacional é uma das partes mais caras da máquina, enquanto lojas pequenas, que formam a maioria dos varejistas nestes mercados, não podem se dar ao luxo de recusar consumidores sensíveis a preços que estão confortáveis em comprar software pirata.

O resultado é que até 60 por cento dos PCs vendidos nos mercados emergentes da Ásia, segundo o gerente de pesquisas Handoko Aki, da IDC, não têm sistema operacional Windows pré-instalado -- os chamados "PCs pelados", que normalmente vêm com algum sistema operacional gratuito e com código aberto como o Linux. Isso se compara a cerca de 25 por cento nos mercados desenvolvidos da região, como Japão e Austrália.

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