COMPORTAMENTO
11/08/2014 18:30 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:47 -02

As vantagens e desvantagens do sexo casual depois dos 50

Fabrice LEROUGE via Getty Images

Sexo casual ou sem sexo?

Conheço algumas mulheres acima dos 50, da geração dos "baby boomers", que desistiram do sexo. A razão principal é que elas não estão em nenhum relacionamento e não estão interessadas em sexo casual. Apesar de a maioria dessas mulheres ter o desejo de voltar a ser sexual, elas preferem esperar pela versão com amor. Por outro lado, muitas mulheres de mais de 50 escreveram artigos sinceros no HuffPost dizendo preferir o sexo casual a esperar pelo amor. Concordo que, na falta de um parceiro apaixonado, o sexo é casual é preferível a nada. Mas ambas as atitudes merecem respeito.

Atitudes em mutação

Os artigos sobre sexo casual são um avanço para as mulheres, e a ausência de julgamento por parte dos homens aponta para uma mudança nas atitudes em relação à sexualidade das mulheres. A situação histórica de um peso e duas medidas segundo a qual homens promíscuos eram másculos, e mulheres promíscuas, vadias ou pior, parece estar finalmente morrendo. Essa mudança representa uma transformação cultural e moral de enormes proporções. As mulheres baby boomers não sentem mais a necessidade de defender sua sexualidade. A autoinstituída patrulha da moral quer colocar rótulos nas mulheres que fazem sexo casual, mas ninguém tem autoridade moral sobre a sexualidade de ninguém.

Um ciclo insatisfatório

Nunca fui celibatário por longos períodos, e durante décadas fiz sexo casual entre relacionamentos de longo prazo. E, como as mulheres que escreveram sobre suas experiências com o sexo casual, fiz sexo com parceiras que estavam abertas a um relacionamento, mas sem intimidade emocional. Mas, na falta de conexão emocional, a empolgação com a novidade sempre acabava perdendo o ímpeto, e eu voltava para o ponto inicial, procurando novas parceiras.

De repente, aconteceu uma espécie de tragédia pessoal. Não conseguia mudar de marcha sexualmente. Queria meus poderes de volta, mas não tinha ideia de onde eles tinham ido parar. Me encontrava com um grupo de amigos havia mais de uma década e, apesar de termos uma conversa permanente sobre relacionamentos, assuntos ligados ao sexo não costumavam ser mencionados. Sinceramente, não é algo de que os baby boomers gostem de falar.

Mas eu estava cada vez mais ansioso, então falei do meu problema. Um sujeito da minha idade disse que estava casado havia 30 anos e que ele e sua mulher faziam sexo com tesão três ou quatro vezes por semana. Eu fiquei abismado, com inveja e bravo comigo mesmo por não saber o que ele aparentemente sabia.

Você está de brincadeira

Perguntei qual era o segredo. “Eu e minha mulher trabalhamos para aprofundar nossa intimidade emocional desde que nos conhecemos, e é essa profunda intimidade que mantém viva nossa sexualidade por 30 anos.” A resposta me deixou perplexo, pois um aprofundamento da intimidade num relacionamento nem sequer estava no meu radar.

Apesar de saber que ele não era uma anomalia, eu não fazia ideia de como incluir intimidade emocional num relacionamento. Tinha alguns outros amigos em relacionamentos de longo prazo que faziam bastante sexto, mas também conhecia homens que não transavam mais com suas parceiras porque, nas palavras deles, “era previsível e sem graça”. O que era especialmente notável era que nenhum desses homens tinha o que pode ser considerado uma relação amorosa. Eles precisavam de um fluxo constante de novas mulheres para se estimular, apesar dos seus status matrimoniais. Passei a ter medo de me tornar uma pessoa igual, correndo em círculos atrás da libido, procurando mas nunca encontrando a real satisfação.

A confiança é n.o 1

Depois de décadas de sexo casual, queria amor num nível mais profundo que o simplesmente físico, mas descobri que isso significaria abraçar a confiança, algo que eu nunca tinha realmente sentido numa mulher. Como muitos caras, eu tinha problemas para confiar nas mulheres. Comecei a tratar dessa questão, conversando com meus amigos. Buscar as raízes do problema foi o primeiro passo para resolvê-lo. Eu demoro para aprender, mas, quando conheci minha parceira, sabia de coração que ela merecia minha confiança – e abri mão dos meus antigos demônios internos.

A qualidade do nosso relacionamento sexual acompanhou o ritmo da confiança entre nós dois. Não foi surpresa que, com essa conexão emocional mais profunda, encontrei aquele ritmo que estava faltando. Confiar na minha parceira também me permitiu relaxar no nosso relacionamento, o que significou não ter de se preocupar com o próximo. Os demônios da confiança vêm à tona de vez em quando, mas consigo lidar com eles.

Sexo casual?

Com certeza, eu concordo com as mulheres que escrevem favoravelmente a respeito. É bom numa situação de emergência. Mas o melhor sexo que se pode imaginar não é casual, nem nunca o foi.

Leitores podem entrar em contato com Ken por intermédio de seu site, www.kensolin.com, e pelo Facebook.

O novo livro de Ken, The Boomer Guide To Finding True Love Online (O guia dos baby-boomers para encontrar amor verdadeiro online, em tradução livre), estará disponível em inglês até o final do ano, em papel e em versão eletrônica.