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06/08/2014 10:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Palácio do Planalto coordenou ação combinada na CPI da Petrobras, diz Folha

José Patrício / Estadão Conteúdo

Reportagem da Folha de S. Paulo revela que assessores do Palácio do Planalto atuaram para blindar a presidente Dilma Rousseff na CPI da Petrobras.

O comando da operação ficou a cargo de um funcionário próximo a Ricardo Berzoini, ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) do Planalto, órgão responsável pela articulação do Executivo com o Legislativo.

O secretário-executivo Luiz Azevedo ajudou a elaborar um plano de trabalho apresentado na comissão em maio, que incluía um roterio de perguntas. Azevedo foi o responsável pela interlocução com a estatal, a fim de garantir que a tática governista de proteger a presidente Dilma e a diretoria da Petrobras funcionasse. Outro assessor do ministério, Paulo Argenta, também atuou na articulação, de acordo com o jornal.

Reportagem da Revista Veja publicada no final de semana revelou que o chefe da Petrobras em Brasília, José Eduardo Barrocas, acertou o envio de perguntas com sugestões de respostas aos depoentes da CPI. A presidente da estatal, Graça Foster, e ex-diretores da empresa teriam recebido antecipadamente esse material. A Petrobras diz que só teve acesso às perguntas com a divulgação do plano de trabalho da CPI.

Ainda de acordo com a Folha, mais de 100 perguntas preparadas para a comissão foram compartilhadas pelo PT com o governo. O material foi entregue pelo assessor da liderança do PT no Senado, Marcos Rogério. Os participantes da ação ouvidos pelo jornal negaram ter repassado as informações aos dirigentes da Petrobras.

Além de definir as perguntas que seriam feitas aos investigados, o grupo coordenado por Luiz Azevedo discutiu com assessores do PT no Senado e com o chefe da Petrobras em Brasília quais requerimentos deveriam seriam apreciados na CPI. Tais funções cabem aos senadores integrantes da CPI.

A SRI declarou ao jornal que "faz parte das atribuições da Secretaria de Relações Institucionais, portanto dos servidores mencionados, acompanhar as atividades legislativas, inclusive as Comissões Parlamentares de Inquérito."

Reação no Congresso

Diante das denúncias de vazamento de perguntas, na terça-feira (5), o presidente da CPI da Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB/PB) pediu à Polícia Federal que investigue o caso.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL) abriu uma sindicância na Casa para esclarecer o episódio, mas negou a necessidade de suspender os trabalhos da comissão, de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo.

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