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06/08/2014 17:20 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Eduardo Campos dá a sua receita para o agronegócio brasileiro voltar a crescer em sabatina

LUÍS N. OLIVEIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Após participar de sabatina promovida pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, o candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, disse que o "estresse" no campo se deve à paralisação da agenda de demarcações de terras indígenas e assentamentos para reforma agrária, no governo da presidente Dilma Rousseff. "Houve uma paralisação da reforma agrária no País", disse.

Para Campos, a falta de diálogo do atual governo e a ausência de atenção voltada ao setor gera conflito no campo. "Temos de proteger a vida de índios e agricultores; é preciso evitar embates e mortes." Sobre a reforma agrária, ele disse que, além de indenizar o dono da terra, é preciso também garantir recursos para o reassentamento das pessoas. Para o candidato, a justiça social no campo é um desafio assim como a sustentabilidade.

"O agronegócio precisa de ciência e tecnologia, de inovação, mas precisamos cuidar das políticas de assentamento, das políticas voltadas para povos indígenas e da reforma agrária. Dessa forma se constrói paz no campo. É tudo o que precisam os que vivem no campo", declarou Campos.

O candidato disse que o barateamento da comida na mesa dos brasileiros depende não só de infraestrutura, mas de redução do "custo Brasil" e de paz no campo. "A demanda dos agricultores não é para parar (os assentamentos e as demarcações), é para resolver (o conflito no campo)", afirmou. "Em quatro anos vamos avançar na pauta de demarcação de terras", disse o pessebista.

Porém, Campos evitou falar em meta para criação de assentamentos e não deu um prazo para a conclusão das demarcações de terras indígenas, argumentando que o processo depende de uma série de ações, entre elas a realização da laudos antropológicos. Ele lembrou que a Constituição previu cinco anos para a solução do problema das reservas indígenas, mas a questão se arrasta até os dias atuais.

"Paralisação leva ao tensionamento. Na hora que você dialoga e faz a pauta andar, você leva a paz, o entendimento e o desenvolvimento para o campo", concluiu. Perguntado sobre o programa do PSB, dos anos 40 e que defende a nacionalização de terras do País, Campos minimizou o documento e disse que ele foi escrito em um outro cenário. "A realidade se alterou", disse, argumentando que analisar o programa com a ótica atual seria o mesmo que comparar a "Constituição de 1988 com a Carta de Pero Vaz de Caminha".

Para Campos, é preciso retomar o diálogo com o mundo rural brasileiro e que seu diálogo sobre sustentabilidade no campo será "tranquilo, respeitando divergências". O socialista voltou a fazer críticas ao atual modelo de sustentação política, argumentando que ele impede a renovação da gestão pública. E destacou que a presidente Dilma será a primeira chefe do Executivo a entregar o País, ao final do mandato, pior do que quando o recebeu. "O presidente Lula promoveu diálogo em suas mediações e entregou um País melhor", comparou.

Ministério da Agricultura

Eduardo Campos prometeu também fortalecer o Ministério da Agricultura e disse ser necessária uma melhor articulação entre as políticas de renda para o setor agropecuário. "Quero assumir o compromisso também de fortalecer o Ministério da Agricultura. É tirá-lo do balcão político e das lideranças e colocá-lo na mão da competência de quem possa efetivamente inspirar um diálogo", disse Campos.

Ao colocar suas posições, Campos, terceiro colocado nas pesquisas, defendeu ainda a necessidade de coordenar melhor as políticas federais de crédito, seguro e o preço mínimo para o setor. “É fundamental articular o crédito, o seguro e o preço mínimo”, afirmou o presidenciável, acrescentando que o seguro atual é mais focado na proteção para catástrofes, deixando de lado a proteção da renda de produtores. " A política do preço mínimo deve ser institucionalizada."

Além disso, Campos afirmou ainda que a conciliação entre a sustentabilidade e a produção agrícola é uma pauta "consensuada" e que já não é possível qualquer atividade econômica ocorrer sem a observância de valores ambientais e sociais. "É fundamental... uma governança macroeconômica que coloque o câmbio no lugar certo para que as exportações não percam", disse o candidato.

Ao ser questionado sobre uma possível revisão do Código Florestal, lei que causou grandes embates entre as bancadas ruralista e ambiental no Congresso, Campos preferiu focar sua resposta na necessidade de implementação total de um cadastro previsto por essa legislação de todas as propriedades rurais do país.

O Cadastro Ambiental Rural (CAR), previsto no código, poderá fornecer, fornecer os dados necessários para a elaboração de políticas públicas estratégicas, disse Campos, que tem a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva como companheira de chapa.

O candidato defendeu ainda que seja feito um ordenamento territorial brasileiro para retomar as demarcações de terras indígenas, de unidades de conservação e ainda de assentamentos para a Reforma Agrária, sem poupar críticas as ações tomadas pelo atual governo da presidente Dilma Rousseff nessas áreas.

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)