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05/08/2014 11:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Reunião sobre suposta fraude da CPI da Petrobras foi no gabinete da presidente Graça Foster em Brasília

ASSOCIATED PRESS
Maria das Gracas Foster delivers a speech after being introduced as the first female chief executive for the Brazilian state-controlled oil company, Petrobras, in Rio de Janeiro, Brazil, Monday Feb. 13, 2012. (AP Photo/Felipe Dana)

A reunião em que se tramou a suposta fraude nos depoimentos à CPI da Petrobras no Senado ocorreu no gabinete da presidente da companhia, Graça Foster, em Brasília, informa o jornal O Estado de S. Paulo nesta terça-feira (5). A sala de reuniões integra o gabinete e o acesso é restrito a servidores da alta cúpula da estatal.

O espaço é usado por Graça para receber autoridades e fazer reuniões com assessores. O gabinete da presidente ocupa todo o segundo andar do prédio da Petrobras na capital federal.

Reportagem de Veja publicada no fim de semana revelou que governistas engendraram esquema para treinar os principais depoentes à comissão de inquérito, repassando a eles previamente as perguntas que seriam feitas pelos senadores e indicando as respostas que deveriam ser dadas.

Participaram do encontro o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, o advogado da empresa Bruno Ferreira e Leonan Calderaro Filho, chefe do departamento jurídico do escritório da Petrobras em Brasília. O objetivo do encontro era tramar a fraude no Congresso.

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Barrocas revela no vídeo que um gabarito foi distribuído aos depoentes mais importantes para que não entrassem em contradição. Paulo Argenta, assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais, Marcos Rogério de Souza, assessor da liderança do governo no Senado, e Carlos Hetzel, secretário parlamentar do PT na Casa, são citados como autores das perguntas que acabariam sendo apresentadas ao ex-diretor Nestor Cerveró, apontado como o autor do “parecer falho” que levou a estatal do petróleo a aprovar a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, um negócio que impôs prejuízo de pelo menos 792 milhões de dólares à empresa.

Segundo conta Barrocas, Delcídio Amaral (PT-MS), ex-presidente da CPI dos Correios, encarregou-se da aproximação com Cerveró. Relator da comissão, José Pimentel (PT-CE), a quem respondem Marcos Rogério e Carlos Hetzel, formulou 138 das 157 perguntas feitas a Cerveró na CPI e cuidou para que o gabarito chegasse ao ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli.

Procurada, a estatal não respondeu ontem aos questionamentos do jornal a respeito do uso do gabinete da presidente Graça Foster. Pessoas que convivem com os dois disseram à reportagem que Barrocas é fiel a Graça e não toma decisões mais complexas envolvendo a Petrobras sem o aval da chefe.

A coluna Radar, de Lauro Jardim, informou nesta segunda-feira que José Eduardo Dutra, ex-presidente da estatal e ex-presidente do PT, foi pessoalmente ao Congresso coletar as perguntas.

Dias antes da instalação da CPI, em maio, Dutra esteve no Senado, onde se reuniu com assessores do PT, do PMDB e da liderança do governo no Congresso. Além da turma de técnicos do Legislativo, estava presente Paulo Argenta, autor de parte das perguntas que chegaram às mãos dos que deveriam ser os alvos da colegiado. Hoje Dutra é diretor da Petrobras.

O líder do DEM na Câmara, deputado Mendonça Filho (PE), protocolou ontem (4) requerimentos de convocação para que o ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini (PT), compareça ao Congresso para explicar o envolvimento de um funcionário da pasta no caso. Os requerimentos foram apresentados nas comissões de Fiscalização Financeira e Controle, de Minas e Energia e no próprio plenário da Casa.

Fontes disseram ao jornal O Estado de S. Paulo que a cúpula da Petrobras desconfia que a gravação foi feita pelo advogado Bruno Ferreira. Na segunda, ele chegou a ser sabatinado na estatal sobre sua suposta participação no caso.

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