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05/08/2014 12:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Em dois anos, Comitê Rio 2016 irá conseguir realizar a Olimpíada das Olimpíadas?

YASUYOSHI CHIBA via Getty Images
View of a balloon depicting logo of the 2016 Olympic Games, on the eve of the day that marks two years for the start, at the construction site of the Olympic park in Rio de Janeiro, Brazil, on August 4, 2014. AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA (Photo credit should read YASUYOSHI CHIBA/AFP/Getty Images)

Passada a febre da Copa do Mundo, que durante um mês mobilizou as atenções da grande maioria dos brasileiros, sobretudo os amantes do “jogo bonito”, é chegada a hora da contagem regressiva para o início dos Jogos Olímpicos do Rio.

Daqui a exatos dois anos, a Cidade Maravilhosa passará a ser a capital mundial do esporte, com 10.903 atletas de 2014 países disputando 306 medalhas, em 42 diferentes competições – o evento acontece de 5 a 21 de agosto. Já os Jogos Paralímpicos, que terão a presença de 4.350 competidores de 176 países, com 528 medalhas em disputa, em 23 modalidades esportivas distintas, serão realizados entre os dias 7 e 18 de setembro.

Os gastos com a organização dos Jogos

No total, na organização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, serão gastos R$ 36,7 bilhões. Deste valor, 24,1 bilhões referem-se a obras de infraestrutura e legado urbano, outros 5,64 bilhões a instalações esportivas (destes R$ 30,6 bilhões, R$ 14,6 bilhões serão financiados pela Caixa Econômica Federal) e 7 bilhões a gastos do Comitê Organizador com uniformes, hospedagem, transporte das equipes e material esportivo.

Deste valor total, R$ 4,55 bilhões serão investidos pela Prefeitura, ao passo que o Governo Estadual do Rio entrará com mais R$ 8,55 bilhões e a União com R$ 2,94 bilhões. A iniciativa privada, por sua vez, será responsável por outros R$ 14,56 bilhões.

Para Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, “serão os jogos da economia de recursos públicos, sem elefantes brancos e com cronogramas em dia” - para ele, o atraso no início das obras do Complexo Esportivo de Deodoro “foi recuperado”. O processo licitatório no local foi iniciado em abril, mas os contratos com as construtoras foram assinados somente há duas semanas.

O andamento das obras

Do total, 24% das obras estão concluídas.Na atualização da Matriz de Responsabilidade, divulgada no último dia 29 de julho, foram informados os custos de 37 das 52 obras em andamento: R$ 5,64 bilhões (sendo que R$ 4,22 bilhões serão provenientes do setor privado). Outras 15 obras estão em estágio inicial ou ainda não começaram – o custo total, portanto, ainda vai aumentar.

Além do Complexo de Deodoro, o Parque Olímpico da Barra vê atraso em obras no Velódromo (a construção do Centro Olímpico de Handebol também ainda não começou), o Engenhão – fechado há quase um ano e meio – só terá as obras de adequação aos Jogos iniciadas em março de 2015 e a poluição na Baía de Guanabara também preocupa.

Local onde serão disputadas as provas de vela, a Marina da Glória, localizada na Baía de Guanabara, recebe, nesta semana, o evento-teste de vela, o primeiro com vistas aos Jogos de 2016. De julho de 2015 a maio de 2016, outros 45 eventos serão realizados. Estas competições contarão com a presença de aproximadamente 8.400 atletas, sendo 1.200 deles paralímpicos.

Ingressos

A venda de ingressos para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos terá início no primeiro semestre de 2015. A estimativa é que sejam colocados à venda 7 milhões de entradas para a Olimpíada, com cerca de 3,8 milhões de bilhetes a serem vendidos por menos de 30 dólares (67 reais), e outros 1,8 milhões para a Paralimpíadas. A Prefeitura do Rio, segundo afirmativa de Eduardo Paes, distribuirá até 1,2 milhões de ingressos para estudantes da rede municipal de ensino.

Meta de pódios da delegação brasileira

O COB definiu como meta obter 30 pódios na Olimpíada, o que colocaria o Brasil entre os dez primeiros colocados no quadro de medalhas. O país, porém, atualmente conta com 21 atletas ou equipes entre os três primeiros no ranking mundial de seus esportes – seriam nove medalhas de ouro, oito de pratas e quatro de bronze. Já para a Paraolimpíada, onde o Brasil é considerado uma potência, a meta é terminar em quinto lugar, dois postos acima do alcançado em Londres, em 2012.

Copa do Mundo x Olimpíada

A experiência recente da Copa do Mundo no país pode servir de parâmetro para a organização da Olimpíada, avalia Eduardo Paes. “Não tenho dúvida a respeito do sucesso da Copa do Mundo. Mas a jornada não precisa ser dolorosa. Acho que esse foi o aprendizado que ficou para Copa”.

Para o secretário extraordinário do ministério do Esporte, Luis Fernandes, a Copa e os Jogos Olímpicos “são desafios com complexidades particulares e distintas, já que o principal desafio da Copa era a coordenação interfederativa (foram 12 sedes), mas era uma única modalidade”. Já os Jogos Olímpicos e Paralímpicos estão concentrados no Rio, “mas em compensação temos que negociar com dezenas de federações esportivas”, completa.

Autoridades avaliam o atual estágio de organização dos Jogos do Rio

Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e do Comitê Rio 2016 avalia positivamente o atual estágio de organização dos Jogos do Rio. “A dois anos dos Jogos, encerramos a fase exclusiva de planejamento e estamos agora na preparação operacional, quando as estruturas para as competições começam a ganhar forma e se aproximar mais da população”, afirma.

“O legado dos Jogos para o Rio e para o Brasil será enorme e já começa a ganhar forma. Nenhuma cidade-sede terá tido tamanho benefício de transformação como o Rio. Seguimos trabalhando em total integração com o COI e com os três níveis de governo. O Rio de Janeiro, o Brasil e a América do Sul vão receber a maior celebração do esporte mundial pela primeira vez e estamos conduzindo a organização com responsabilidade e total consciência da complexidade dessa missão”, conclui Nuzman.

Diretor-geral do Comitê Rio 2016, Sidney Levy, endossa o otimismo de Nuzman: “Seguimos firmes no compromisso de realizar Jogos fantásticos, dentro do prazo e com responsabilidade na gestão do orçamento”.