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04/08/2014 19:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:23 -02

Israel e palestinos aceitam trégua de 72 horas mediada por Egito

Por Yasmine Saleh e Lin Noueihed CAIRO (Reuters) - Israel e as facções palestinas, incluindo o Hamas, que controla Gaza, aceitaram a proposta do Egito de cessar-fogo a partir das 5h de terça-feira (

JACK GUEZ via Getty Images
A picture taken from the Israel-Gaza border shows smoke rising from the coastal side of the Gaza strip following an Israeli military strike on August 4, 2014. Israel insisted there will be no end to its bloody military campaign in Gaza without achieving long-term security for its people, shunning increasingly vocal world demands for a truce. AFP PHOTO / JACK GUEZ (Photo credit should read JACK GUEZ/AFP/Getty Images)

Israel e as facções palestinas, incluindo o Hamas, que controla Gaza, aceitaram a proposta do Egito de cessar-fogo a partir das 5h de terça-feira (2h em Brasília) por pelo menos três dias.

O Egito também convidou Israel e os palestinos a comparecerem a negociações de alto escalão no Cairo com o objetivo de obter um acordo de longo prazo para encerrar a guerra, que já deixou quase 2 mil mortos.

“Esperamos que isso garanta um cessar-fogo permanente e restabeleça a estabilidade”, declarou o Ministério das Relações Exteriores egípcio em um comunicado.

Autoridades de Gaza disseram que 1.834 palestinos, a maioria civis, foram mortos no conflito. Israel confirmou que 64 de seus soldados morreram em combate, e os bombardeios palestinos mataram três civis em Israel.

Grupos palestinos, incluindo enviados do Hamas e da Jihad Islâmica, já estavam na capital egípcia, onde encontraram o chefe da inteligência do país nesta segunda-feira para apresentar suas principais exigências para pôr fim à violência, que já deslocou mais de um quarto dos 1,8 milhão de habitantes de Gaza e destruiu 3 mil residências.

Imediatamente após a reunião, o Egito comunicou as demandas a Israel, entre elas um cessar-fogo, a retirada de forças israelenses de Gaza, o fim do bloqueio do empobrecido enclave e a libertação de alguns prisioneiros.

Uma autoridade israelense, que não quis se identificar, deu a entender que Israel está disposto a tirar suas forças de Gaza como parte da trégua.

“Concordamos em iniciar a implementação da iniciativa egípcia. Se o cessar-fogo for mantido, não haverá a necessidade da presença de forças (israelenses) na Faixa de Gaza”, afirmou.

Israel já começou a desacelerar sua ofensiva, dizendo que o Exército alcançou o principal objetivo da operação terrestre: a destruição dos túneis usados pelos militantes para se infiltrar em seu território.

Israel tinha rejeitado enviar uma delegação ao Egito para conversas sobre uma trégua, despertando dúvidas sobre a possibilidade de um acordo.

Uma autoridade palestina afiliada a uma das facções militantes disse que um cessar-fogo temporário ajudaria a abrir caminho para negociações mais abrangentes.

"Caso Israel concorde com um cessar-fogo de 72 horas, o Egito o convidaria a enviar uma delegação ao Cairo para conduzir negociações indiretas sobre todos os temas”, declarou.

O Egito já se posicionou como mediador em outros conflitos em Gaza, mas, como Israel, se opõe ao Hamas, e tem se empenhado em fechar um acordo que ponha fim aos conflitos.

Já o Catar, que apoia o Hamas, ficou de fora das conversas egípcias, mas manteve consultas com a Turquia e com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, com o propósito de encerrar a crise caso o Egito fracasse, disseram uma fonte do Golfo e uma autoridade do Hamas em Doha.

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