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30/07/2014 09:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Vídeo mostra índios isolados fazendo contato com a Funai pela primeira vez no Acre

Divulgação/Funai

A Funai (Fundação Nacional do Índio) divulgou nesta terça (29) imagens do primeiro contato com índios que vivem isolados no Acre, na região fronteiriça entre o Brasil e o Peru.

O encontro entre isolados e a equipe da Funai aconteceu no dia 30 de julho em uma aldeia de índios ashanikas, perto do município de Feijó, segundo o G1.

O contato com a equipe da Funai é intermediado por um índio da tribo ashanika (de bermuda), que entrega aos novos conhecidos um cacho de bananas.

Como forma de retribuição, o grupo de índios isolados entregou um jabuti ao ashanika.

Mais adiante, é possível observar os isolados pegando objetos da aldeia ashanika, como um machado e roupas sujas.

No dia seguinte eles foram levados com gripe, provavelmente devido à contaminação das roupas dos ashanikas, à base da Funai.

Ali, ficaram em quarentena por cerca de 15 dias. Havia uma grande preocupação de que o vírus da gripe se espalhasse pela aldeia já que, devido ao isolamento, o sistema imunológico do grupo é muito suscetível a doenças.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o coordenador geral de Índios Isolados e Recém Contatados da Funai, Carlos Travassos, disse que os índios serão vacinados contra a gripe nos próximos dias.

A denominação "povos indígenas isolados" se refere a grupos que não têm relações permanentes com sociedades indígenas ou não-indígenas. Eles podem ter ferramentas de metal e objetos encontrados na floresta ou furtados de moradores próximos, mas não mantém contato constante com ninguém de fora do grupo.

Como relatou a professora Ivana Bentes no blog de Altino Machado, os isolados carregavam uma pequena bolsa com uma série de cacarecos, como caixas de fósforo, embalagens de sabão e uma carteira do Corinthians.

Galeria de Fotos Índios isolados fazem contato pela primeira vez com a Funai Veja Fotos

Segundo a Funai, registros históricos demonstram que esses povos decidem se isolar, geralmente, por causa de encontros "traumatizantes" - com atos de violência física, epidemias e espoliação de seus recursos naturais.

Para Travassos, um provável motivo de o grupo ter decidido fazer contato é a perseguição de madeireiros que atuam no Peru. Já para o antropólogo Terri Aquino, entrevistado pelo G1, a busca da tecnologia foi o que motivou o contato. Machados, facões e panelas seriam utilizados em brigas internas.