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30/07/2014 16:45 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Rússia ameaça União Europeia com aumento no gás e critica sanções dos Estados Unidos

Reuters

Na noite desta terça (29), Barack Obama declarou que os EUA irão ampliar as sanções contra a Rússia. O anúncio aconteceu poucas horas depois de a União Europeia divulgar uma série de novas punições a empresas russas.

As medidas dos EUA incluem o bloqueio de exportações de bens e tecnologia americanos para o setor energético da Rússia, além de atingirem bancos e grandes empresas russas como suspensão de crédito e financiamento de mais de 90 dias.

A União Europeia determinou, após reunião de seus 28 países membros em Bruxelas, que proibirá bancos estatais russos de operarem no mercado financeiro europeu, além de bloquear a compra e a venda de armamento militar e restringir o fornecimento de materiais à indústria petrolífera russa.

Pela primeira vez, as medidas impostas pela Europa afetarão setores econômicos importantes da Rússia, inclusive com o risco de prejudicar o próprio mercado europeu.

Em discurso de tom desafiador, o chanceler russo disse que as medidas seriam um tiro pela culatra: os europeus vão pagar mais caro pela energia. Afinal, a escassez de tecnologia matéria-prima para as empresas do setor energético russo devem aumentar o preço da energia que chega na Europa, onde um terço do gás natural vem da Rússia.

"É um passo impensado que certamente acarretará um aumento de preços no mercado europeu", disse o governo russo.

Em um artigo da Business Insider, analistas da Morgan Stanley atestam que um dos possíveis efeitos colaterais das sanções é a perda de vários bons negócios da Europa com a Rússia para a China.

Jogo de Xadrez

As tensões entre o governo da Ucrânia e os separatistas pró-Rússia tendem a se acirrar cada vez mais. Isso porque uma ofensiva militar das forças ucranianas para retomar territórios dominados pelos rebeldes avança no leste do país.

A cidade de Avdiyivka, ao norte de Donetsk, epicentro do controle separatista, foi recuperada nesta quarta (30). Autoridades locais informaram que os combates deixaram ao menos 19 mortos nas últimas 24 horas.

Agora, as forças ucranianas concentram seus esforços para retomar Horlivka, a nordeste de Donetsk. O objetivo da movimentação é abrir espaço para chegar a Donetsk, cidade que é o "cérebro" das operações dos separatistas pró-Rússia.

As tensões na região tem dificultado o acesso de investigadores internacionais ao local da queda do avião da Malaysia Airlines. Um vídeo da BBC mostra combates entre rebeldes e o exército ucraniano perto da região do desastre aéreo.

Tensões

Investigadores internacionais que tentavam acessar o local da queda do Boeing 777 da Malaysia Airlines, no leste da Ucrânia, tiveram de dar meia-volta quando depararam com minas terrestres espalhadas pelo solo da região nesta quarta (30).

De acordo com o porta-voz de segurança da Ucrânia, Andriy Lysenko, a região foi minada por separatistas pró-Rússia que controlam o local.

Governos estrangeiros cujos cidadãos morreram na queda - das 298 vítimas, 194 eram holandesas - reclamam da falta de segurança da região.

Parte dos restos mortais das vítimas ainda não foi recolhida e está exposta ao calor do verão ucraniano nos campos de cultivo da região. Os investigadores também relatam que separatistas cortaram, removeram e alteraram os destroços do avião.

Duas semanas depois do desastre aéreo, que aconteceu em 17 de julho, os investigadores ainda não conseguem ter livre acesso ao local devido a obstáculos impostos pelos separatistas. É o quarto dia consecutivo que especialistas internacionais tentam chegar à área e são impedidos pelos rebeldes.

Segundo a ONU, a derrubada do avião civil da Malaysia Airlines pode ser considerada um crime de guerra. Os conflitos na Ucrânia já deixaram mais de 1100 mortos desde abril, quando os combates começaram a se intensificar. Mais de 100 000 pessoas já fugiram do leste ucraniano.

Contexto

Segundo os governos dos Estados Unidos e da Ucrânia, o Boeing 777 foi derrubado por um míssil disparado por áreas do leste ucraniano, controladas por separatistas pró-Rússia. Acusada pelas forças ocidentais de fornecer o lançador de mísseis e treinamento para operá-lo, a Rússia nega e diz que a Ucrânia pode ter derrubado o avião.

(Com Reuters e Associated Press)