NOTÍCIAS
30/07/2014 15:15 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Eleições 2014: Aécio Neves 'afaga' empresariado com propostas e ataca 'opções erradas' de Dilma

FELIPE COSTA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Em sabatina realizada na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta quarta-feira (30), o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, criticou a atuação do atual governo na área econômica, se colocou como o candidato “do sentimento profundo de mudança que permeia a sociedade brasileira” e pregou uma retomada da economia brasileira através da reforma tributária, e do aumento do investimento em inovação e infraestrutura.

Antes de explanar aos empresários presentes no evento suas propostas de governo, o senador mineiro atacou “os resultados pífios da economia brasileira” que, segundo ele, “são consequências de opções erradas que o atual governo fez nos últimos anos”.

"O governo não teve capacidade de mobilizar os recursos necessários para alavancar nossa infraestrutura. Não houve preocupação do governo em enfrentar um dos fatores mais nocivos da economia brasileira, que é a nossa carga tributária", pontuou o presidenciável.

A questão tributária, aliás, foi um dos temas enfatizados por Aécio Neves na sabatina. O ex-governador de Minas Gerais, prometeu encaminhar uma proposta de reforma tributária ao Congresso nos primeiros dias de seu governo, defendendo a criação de um IVA (Imposto sobre Valor Agregado) em substituição aos vários impostos que, segundo ele “infernizam quem produz hoje no Brasil".

"Temos que fazer um controle efetivo sobre o crescimento dos gastos correntes do governo. Só vamos ter o espaço fiscal necessário para uma redução horizontal da carga tributária no momento em que encaixarmos os gastos correntes do governo no crescimento da economia”, completou.

Além da simplificação do sistema tributário, Aécio enumera outros cinco fatores para levar o país a uma retomada da competitividade na economia brasileira: qualidade da educação, investimentos na infraestrutura, taxa de juros mais baixa, câmbio mais desvalorizado, a simplificação do sistema tributário e a integração maior do Brasil com o mundo.

Relações econômicas com outros países

A respeito desta integração econômica com outros países, o presidenciável deixou claro que pretende retomar relações bilaterais, sobretudo com países da União Europeia, levando em conta o caráter comercial apenas, e não ideológico. "O primeiro compromisso é o realinhamento da nossa política externa a uma agenda comercial e não ideológica. Até porque política comercial internacional e política partidária não se misturam e, quando se misturam, dá errado", afirmou. Sobre o Mercosul, defendeu “sua transformação de União Aduaneira para Área de Livre Comércio".

Pregando um investimento de 24% do PIB em investimentos, ante o atual índice de 18%, o tucano vê, além do fortalecimento da infraestrutura do país, um forte incentivo à inovação como um caminho a ser seguido pelo novo governo, gerando uma aproximação maior entre Academia e Mercado.

"O que vai permitir o aumento da produtividade e a inovação é a competição, inclusive com outras regiões do mundo. Vamos propiciar essa abertura e ao mesmo tempo avançar na construção da agenda da competitividade, o que passa por mudanças na postura do governo. Somos competitivos da fábrica para dentro e perdemos competitividade quando o produto enfrenta o emaranhado do nosso sistema tributário e da nossa logística”, explicou o senador mineiro.

A criação de um ambiente favorável aos negócios no Brasil, para Aécio, se dará com uma retomada da “previsibilidade” na economia, prometendo um “ambiente seguro" para os investidores, com regras claras na economia para os investidores internos e externos do país. "Esperem regras claras, atrações seguras para o investimento, regulação clara dos mercados e ação que aumente a produtividade e qualidade dos serviços", disse.

Aécio Neves também falou, por diversas vezes, que irá estimular a meritocracia na indicação de cargos políticos, prometendo também “reduzir o Estado pela metade” com uma reforma ministerial. O candidato do PSDB foi o segundo a participar da sabatina promovida pela CNI nesta quarta-feira – ainda hoje, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, participará de uma sabatina no local.