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29/07/2014 16:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Sabesp descarta racionamento de água recomendado pelo Ministério Público: técnicos são unânimes em apontar necessidade de redução no consumo

Técnicos da USP e Unicamp afirmam que não há um pingo de dúvida sobre a necessidade de restrição ao consumo de água em São Paulo. A oposição ao governador Geraldo Alckmin diz que seu interesse em garantir a reeleição impede a Sabesp de adotar a impopular medida solicitada pelo Ministério Público. Matemática simples prova: a água do Cantareira não acaba antes da eleição. Mas consumir nossas reservas até a última gota, como o governo paulista está fazendo, torna inevitável racionamento muito mais severo no futuro, afirmam os especialistas.

Estudo da Universidade de Campinas (Unicamp) revela que, no ritmo atual, será impossível retirar um pingo d'água do Sistema Cantareira dentro de cem dias. Mas a eleição acontece antes disso. E o governo paulista aposta na volta das chuvas em outubro, além de ter pedido à Agência Nacional de Águas a liberação de mais 100 milhões de metros cúbicos do chamado "volume morto". Marco Antonio Palermo, doutor em engenharia de recursos hídricos pela USP, declarou à Exame que a medida é um mero paliativo, e que não deveria ser usada repetidamente.

O presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, declarou em entrevista à Globonews que o sistema Cantareira deve levar três anos para voltar ao nível normal. Sem redução no consumo, esse prazo vai ficando cada vez maior. O professor Antonio Carlos Zuffo, do Departamento de Recursos Hídricos da Unicamp, diz que a gestão da crise pelo governo paulista é "de alto risco" e defende o rodízio no abastecimento. "Não se pode garantir que a chuva volte em outubro. No ano passado, ela só veio na segunda metade de dezembro. Foram só 15 dias de chuvas normais no ano passado. Não sabemos se vai voltar com normalidade ou se vai atrasar", declarou o especialista à Agência Brasil.

Segundo afirmou recentemente a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, técnicos consultados pela Agência Nacional de Águas (ANA) afirmaram que o fenômeno do El Niño, causador de alterações climáticas que incluem chuvas mais abundantes no Sul do país, além de seca no Nordeste, não vai reverter a crise no Sistema Cantareira. A Bancada do Partido dos Trabalhadores na Assembléia Legislativa paulista já cogitou até uma CPI sobre o assunto, mas a proposta não decolou. O debate, entretanto, promete esquentar assim que começar o horário eleitoral gratuito.

Veja a seguir a nota emitida pela Sabesp:

“Embora reconheça a importância institucional do MPF, com o qual sempre colabora, a Sabesp discorda frontalmente da imposição de um racionamento. A medida penalizaria a população e poderia produzir efeitos inversos daqueles pretendidos pelos procuradores. São Paulo preferiu enfrentar de forma organizada a maior estiagem de sua história. Os esforços feitos pela população e pela Sabesp até o momento equivalem à economia que se obteria com um rodízio de 36 horas com água por 72 horas sem água”