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28/07/2014 11:32 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Israel assume que bombardeou escola da ONU que abrigava palestinos na Faixa de Gaza (FOTOS)

O governo israelense reconheceu neste domingo (27) que suas tropas bombardearam uma escola da ONU que servia de refúgio para palestinos desabrigados na última quinta (24).

Nesta segunda (28), outros dois ataques semelhantes aumentaram o saldo de vítimas. Ao menos 13 pessoas morreram em um bombardeio simultâneo a um campo de refugiados e ao maior hospital de Gaza. O conflito já causou mais de 1060 mortos desde 8 de julho.

Segundo Israel, o disparo à escola da ONU não foi intencional, a escola estava vazia e é "improvável" que o ataque tenha feito vítimas. Autoridades palestinas disseram que três tanques bombardearam a escola, e concluíram que 16 pessoas foram mortas.

O porta-voz do exército israelense Peter Lerner disse que "uma única 'bomba perdida'" caiu no pátio da escola, e que é "extremamente improvável" que alguém tenha morrido por causa do disparo.

Lerner disse que "talvez", algumas pessoas possam ter ficado feridas com estilhaços da explosão. Ele ainda disse que há a possibilidade de que feridos tenham sido levados depois do bombardeio ao local.

Galeria de Fotos Israel ataca escola da ONU em Gaza com tanque; 15 civis morrem Veja Fotos

Imagens de fotógrafos da agência Associated Press mostram grandes poças de sangue no pátio, e cenas de destruição.

Saed al-Saoudi, comandante da Defesa Civil em Gaza, disse que "feridos, testemunhas, paramédicos e médicos confirmam que as bombas israelenses foram a causa do massacre".

A ONU pediu transparência e responsabilidade nas investigações.

Segundo Chris Gunness, porta-voz da organização, a escola estava claramente sinalizada como um abrigo de civis palestinos, e os militares israelenses estavam totalmente cientes de sua localização.

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Pedidos de trégua

Moradores da Faixa de Gaza relataram uma lenta diminuição dos lançamentos de mísseis durante a tarde deste domingo (27), mas nesta segunda (28), dois ataques já deixaram ao menos 13 pessoas mortas.

Pela manhã, um míssil lançado por um drone atingiu um parquinho de um campo de refugiados. Segundo médicos do hospital Shifa, das 10 vítimas, 9 eram crianças com menos de 12 anos.

O próprio hospital, maior centro de saúde de Gaza, também foi alvo de bombardeios. Três morreram durante o ataque.

O porta-voz do exército israelense, Peter Lerner, negou que Israel esteja envolvida. "Esses incidentes foi deflagrado por terroristas de Gaza", disse. Autoridades de Gaza afirmam que estilhaços encontrados nos corpos das vítimas são evidências de que Israel tem envolvimento.

A notícia vem depois de um pedido de trégua humanitária da ONU realizado na madrugada deste domingo (28).

O Conselho de Segurança da ONU, em comunicado, pediu um "imediato e incondicional cessar-fogo humanitário" em função das festividades do fim do Ramadã, mês de jejum e oração da religião muçulmana.

O pedido, aprovado por unanimidade pelos 15 membros em reunião emergencial realizada durante a madrugada, aconteceu em meio novos ataques, apesar da trégua do fim de semana.

Neste domingo (27), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, salientou a necessidade de um cessar-fogo em ligação telefônica com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Obama teria acrescentado que "qualquer solução duradoura para o conflito israelense-palestino deve garantir o desarmamento de grupos terroristas e a desmilitarização de Gaza".

Entenda

A violência na Faixa de Gaza se intensificou em junho, quando três adolescentes israelenses desapareceram na Cisjordânia.

Israel acusou o Hamas, grupo islâmico que controla a Faixa de Gaza, de ter realizado o sequestro.

Em 30 de junho, os corpos dos jovens foram encontrados com marcas de tiros. Um dia depois, um adolescente palestino foi sequestrado e queimado vivo em Jerusalém Oriental.

Em 8 de julho, a região começou a ser palco de bombardeios intensos. Hospitais, escolas e casas de famílias tem sido atacadas com frequência.

Mais de 1060 pessoas já morreram no conflito - 95% das vítimas são palestinos.

(Com agências internacionais)