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22/07/2014 15:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

EUA proíbem voos para Israel; Unicef diz que 121 crianças palestinas já morreram em Gaza

REUTERS/Ronen Zvulun/files

* A FAA (Federal Aviation Administration), agência norte-americana responsável pela aviação, divulgou um comunicadono qual proíbe empresas norte-americanas de voarem para Israel por 24 horas. Diversas companhias europeias também suspenderam voos para Tel Aviv.

* A Unicef afirmou nesta terça-feira (22) que 121 crianças morreram e 900 ficaram feridas na Faixa de Gaza desde que Israel começou os bombardeios aéreos sobre a Faixa de Gaza em 8 de julho e lançou uma ofensiva terrestre há seis dias. O número total de mortos palestinos já se aproxima de 600.

* O secretário-geral da ONU Ban Ki-moon chegou a Israel nesta terça com a missão de negociar um cessar-fogo. Ele já se reuniu com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, e deverá se encontrar com Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, em Ramallah (Cisjordânia), na quarta-feira.

* O Exército israelense confirma o desaparecimento do soldado isreaelense Oron Shaul, 20. Vinte e nove israelenses, 27 deles soldados, morreram desde o início da guerra entre Israel e o Hamas.

* A Organização Mundial de Saúde (OMS) disse que 18 unidades de saúde em Gaza foram danificadas, incluindo três hospitais.

* Segundo a agência France Press, uma escola da ONU que abrigava refugiados em Gaza foi bombardeada.

Antes de a FAA proibir temporariamente voos para Israel, a U.S Airways e a Delta Airlines já haviam anunciado que deixariam de voar para o país, logo após um foguete disparado por militantes do Hamas atingir Yehud, perto do Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Tel Aviv. Lufthansa, Air France, KLM e Swiss Air também suspenderam voos.

Na CNN, o embaixador de Israel nos EUA criticou a decisão americana e argumentou que a El Al, empresa aérea israelense continua operando a partir do aeroporto Ben Gurion com segurança.

O premiê Bibi Netanyahu também pediu ao secretário de Estado do Governo Obama, John Kerry, envolvido nas negociações de um cessar-fogo, que a decisão da FAA fosse revista.

Em Genebra (Suíça), Jens Laerke, porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha, em inglês) afirmou não haver em Gaza nenhum lugar seguro para civis se protegerem dos ataques por terra, mar e ar de Israel. "Literalmente, não há lugar seguro para os civis", disse Laerke, segundo a Agência Reuters.

Pelo menos 546 pessoas já morreram no enclave palestino, 500 casas foram destruídas e 100 mil pessoas buscaram abrigo e precisam de comida, água e colchões, segundo o porta-voz da Ocha. Forças militares de Israel disseram ter matado 183 militantes do Hamas.

A maioria dos mortos é de civis palestinos, incluindo 121 crianças e jovens de Gaza menores de 18 anos, que compõem um terço do total de mortes de civis, disse Juliette Touma, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Mais de 900 crianças palestinas também estão feridas, segundo a Unicef.

"De acordo com uma avaliação dos agentes humanitários no local, ao menos 107 mil crianças precisam de apoio psicológico para o trauma que estão enfrentando, com as mortes, ferimentos e a perda de suas casas", disse Laerke.

As baixas do lado israelense também cresceram, e foi divulgada a morte de mais dois soldados, elevando o número de militares mortos para 27 - quase três vezes o número de mortos na última invasão em solo a Gaza, na guerra de 2008-2009. Além disso, dois civis israelenses morreram por foguetes palestinos atirados contra Israel. As informações são da Reuters.

Um soldado israelense está desaparecido na Faixa de Gaza e os militares consideram que presumivelmente ele esteja morto, disse a mídia de Israel nesta terça-feira, dois dias depois de o grupo islâmico Hamas ter anunciado a captura do soldado durante confrontos, informa a Reuters.

Veja abaixo fotos da conflito em Gaza desde o início da ofensiva terrestre há seis dias (o texto continua após a galeria).

Galeria de Fotos Invasão israelense em Gaza Veja Fotos

A emissora de TV israelense Canal 10 disse que os militares acreditam que o homem tenha sido morto com outros seis soldados em um ataque contra um veículo blindado no domingo. No entanto, o Exército só identificou seis corpos. Um comunicado militar israelense nesta terça-feira assinalava que o Exército está concluindo a identificação de seis dos soldados mortos e que "os esforços para identificar o sétimo estão em andamento e ainda terão de ser determinados".

No domingo o Hamas anunciou ter capturado um soldado israelense, mas não disse se ele estava vivo ou morto.

Israel começou os bombardeios aéreos sobre a Faixa de Gaza em 8 de julho, com o objetivo de acabar com os ataques de foguetes do militantes do Hamas contra o território israelense. Segundo Israel, mais de 1.500 foguetes e morteiros foram lançados pelos militantes palestinos, que Israel considera terroristas. Até agora dois cidadãos israelenses morreram. O número de mortos é baixo porque os foguetes não são muito precisos e boa parte deles é interceptada no ar pela "Cúpula de Ferro", o sistema antimísseis israelense.

Mas, nesta terça, um foguete caiu em cima de uma casa em território israelense.

Exposição de foguetes lançados pelo Hamas contra o território israelense organizada pelo governo israelense.

Um objetivo específico da ofensiva terrestre israelense é destruir túneis construídos pelo Hamas para atravessar a cerca que divide Gaza do território israelense com o intenção de atacar soldados e civis israelenses.

Segundo o jornal israelense Haaretz, o Exército israelense já localizou 66 entradas de 23 túneis e bombardeou seis deles em toda a sua extensão.

O Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e seus aliados, dispararam mais foguetes contra Israel, fazendo soar as sirenes de alerta em Tel Aviv. Um deles acertou os arredores do Aeroporto Internacional Ben-Gurion, ferindo levemente duas pessoas, segundo autoridades.

“Um cessar-fogo não está próximo”, disse a ministra da Justiça, Tzipi Livni, vista como a integrante mais moderada no gabinete de segurança do premiê Bibi Netanyahu. “Não vejo luz no fim do túnel”, disse ela à rádio do Exército de Israel.

Militantes palestinos em Gaza disseram querer um cessar-fogo de cinco horas na terça-feira para permitir que residentes saiam de suas casas para buscar suprimentos, mas Israel nega conceder essa solicitação por questões de segurança, disse um oficial de defesa à Reuters.