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21/07/2014 10:07 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

'Prevaleceu o interesse público', diz Aécio, sobre aeroporto construído pelo governo de MG e administrado por parentes dele

Montagem/Estadão Conteúdo/Panoramio

O bunker de campanha do senador Aécio Neves (PSDB-MG) começa a semana em meio a uma tremenda turbulência. A equipe de marketing do candidato à Presidência da República precisa debelar o mal-estar causado pela denúncia do jornal Folha de S. Paulo deste domingo (20). O repórter Lucas Ferraz revelou que o governo de Minas Gerais construiu um aeroporto em terreno de tio de Aécio, em Cláudio (MG), a 150 quilômetros de Belo Horizonte, durante o segundo mandato dele como governador.

O aeroporto é administrado hoje por familiares do senador, como mostrou a reportagem da Folha. O gasto do governo foi de quase R$ 14 milhões.

Ontem mesmo, Aécio usou as redes sociais para rebater a denúncia e explicar que o aeroporto foi construído em área do Estado e não em terreno particular.

"Não se trata de construção de um novo aeroporto, mas de melhorias realizadas em pista de pouso que existia há mais de 20 anos no local, realizadas por meio do ProAero, programa criado no governo Aécio Neves e que garantiu investimentos em inúmeros aeroportos do Estado", afirmou a equipe de Aécio, em post no Facebook. O programa previa um aeroporto local em Cláudio, descrito por Aécio como "próspero município da região centro-oeste de Minas Gerais".

Segundo o presidenciável, o terreno foi desapropriado em 2008 e o ex-proprietário, Múcio Guimarães Tolentino (tio-avô de Aécio), "não concordou com as bases da desapropriação definidas pelo Estado e luta até hoje na Justiça contra elas".

"Não houve nenhum tipo de favorecimento na implantação das melhorias na pista de pouso de Cláudio como insinua a reportagem", defende Aécio. O aeroporto ficou pronto em 2010.

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Critérios técnicos

O senador Aécio Neves ressalta que a escolha do terreno ocorreu por "critérios técnicos". Segundo a postagem, "o fato do proprietário à época ser ou não ser parente do então governador" não influiu na decisão de ampliar a pista de pouso local.

"Já havia no terreno em questão uma pista de pouso construída há 20 anos, o que tornaria a obra muito mais barata. Prevaleceu exclusivamente o interesse público", afirma Aécio.

Segundo ele, se o Estado buscasse outra opção, que não a pista já existente em Cláudio, o governo poderia ser acusado de improbidade administrativa.

"O governo estadual agiu com rigor e seguiu todos os trâmites legais para garantir a melhor solução para o Estado. Prova disso é que os interesses de um parente do governador na época foram contrariados para que prevalecesse o interesse público", opina Aécio.

Segundo a Folha, a operação do aeroporto é considerada irregular pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O jornal mostrou que quem guarda as chaves do aeroporto é a família de Múcio Tolentino.

"O aeroporto está no final do processo [de regularização], mas, para todos os efeitos, ainda é nosso", disse Fernando Tolentino, primo de Aécio, ao repórter da Folha.