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17/07/2014 11:01 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

EUA ampliam sanções contra Rússia durante reunião dos Brics em Fortaleza

NACHO DOCE/REUTERS

Enquanto Vladimir Putin participava da reunião dos Brics com as nações sul-americanas (Unasul) em Fortaleza, ontem (16), o governo dos Estados Unidos anunciou novas sanções contra a Rússia.

Segundo a Folha de S.Paulo, a medida impede o acesso a créditos de mais de 90 dias para uma lista de bancos e grandes companhias dos setores energético e de defesa do país. Isso significa que grandes empresas russas devem ter dificuldade para fazer negócios a médio e longo prazo.

As sanções são uma resposta à intervenção russa na Ucrânia, iniciada em fevereiro. Mas também podem ser interpretadas como um sinal de irritação dos EUA com a aproximação de Moscou dos países sul-americanos.

A reunião de Putin com os Brics no Brasil foi interpretada como uma vitória da diplomacia russa, que encontrou na aproximação uma saída para seu isolamento no cenário global. O presidente russo, inclusive, aproveitou o encontro para criticar a política de sanções dos EUA, afirmando que os Brics deveriam ser uma trincheira contra as punições.

Anteontem (15), após reunião de cúpula dos Brics, os países do bloco dos emergentes soltaram um comunicado cheio de indiretas contra as punições anteriores dos Estados Unidos aos russos. A nota condena "sanções econômicas em violação ao direito internacional", em alusão clara a medidas como o congelamento de contas no exterior de homens fortes do governo russo.

As sanções do governo Obama frustraram um pouco as alegrias de Putin mas, segundo análise do jornalista Igor Gielow na Folha, podem sair pela culatra.

Isso porque não houve um motivo específico para endurecer as punições ao país, o que pode dar razão ao discurso de Putin e de seus colegas de Brics, que dizem que as medidas são instrumentos de pressão sobre países que não concordem com suas políticas.

De acordo com a Reuters, o primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev insinuou nesta quinta-feira que a Rússia pode aumentar os gastos em defesa como resposta às "cruéis" sanções. Ele afirmou que tais medidas fariam com que as relações diplomáticas recuassem à situação dos anos 1980, nos últimos estágios da Guerra Fria.

Entre as empresas que não poderão fazer empréstimos de mais de 90 dias, estão a Kalashinov (fabricante dos fuzis AK), a petroleira estatal Rosneft e a Gazprombank, banco da estatal do gás Gazprom.