Comportamento

12 imagens pra não esquecer que toda mulher é dona de seu próprio corpo

As mulheres ao redor do mundo representam um rico mosaico de experiências e expressões, mas se existe uma crença que une toda a irmandade feminina é essa: não se atreva a falar para uma mulher o que ela deve fazer com o corpo.

Esta mensagem ficou mais que clara para a artista brasileira Carol Rossetti depois que uma série de ilustrações feitas por ela sobre o poder feminino se espalhou rapidamente além do seu círculo de amizades no Facebook e alcançou mulheres mundo afora. As ilustrações já foram traduzidas para 16 línguas diferentes por amigos e fãs.

“Esse foi um projeto muito pessoal e eu nunca imaginei que ele fosse tomar as proporções que tomou”, a artista plástica de 26 anos disse em entrevista. "As pessoas do mundo inteiro estão pedindo que eu traduza as ilustrações para a língua delas. Já me pediram para traduzir o meu trabalho para o árabe, o bahasa (Indonésia) e línguas de alguns lugares onde eu realmente não faço ideia de como o meu projeto seria aceito.”

Rossetti diz que ela já pensava em analisar de forma mais profunda o relacionamento entre o controle e o corpo, comportamento e identidade da mulher “há algum tempo”.

"As pessoas assistem ao seriado Mad Men e pensam que aquele tipo de misoginia já acabou”, disse Rossetti. Mas a artista também descobriu que falar sobre essas questões feministas tende a deixar as pessoas mais defensivas. “As pessoas não conseguiam enxergar como esse ‘lance de gênero’ era uma questão importante. Eu queria deixar isso claro, mas de uma maneira que não fosse agressiva.”

Para mostrar aos amigos em outros países o progresso do projeto, Rossetti começou a compartilhar as ilustrações no Facebook em abril. Logo as imagens já estavam recebendo milhares de comentários em várias línguas.

Rossetti diz que as ilustrações sobre pelos no corpo, aborto e cabelo afro são as mais comentadas.

"Uma que as pessoas gostam muito, em todas as línguas, é a ilustração sobre sexo casual”, afirmou Rossetti. Apesar da artista entender o apelo de algumas imagens – “aqui no Brasil o cabelo afro é bem polêmico” –, algumas das histórias que seus fãs relatam a deixam chocada.

"Uma garota me disse que queria que eu fizesse uma ilustração sobre uma menina que gostava de ser tocada pelo namorado e depois ser chamada de vagabunda por isso.”

Rossetti ficou duplamente chocada quando a garota esclareceu que ela não se referia à estimulação sexual – ela se referia a demonstrações públicas de afeto.

"Eu não fazia ideia de que as pessoas ainda eram recriminadas por isso”, disse Rossetti. “Parece uma coisa que acontecia em 1920.”

Rossetti diz que tem total consciência de que o feminismo e o empoderamento das mulheres geralmente se aplicam apenas às mulheres “jovens, capazes e brancas”.

“Existe essa ideia de um padrão no feminismo: se você pensa em uma mulher feminista, você pensa primeiro em uma mulher branca. As pessoas acham que se você é essa mulher padrão, então, sim, você é uma militante feminista – mas se você é uma mulher negra, deve estar combatendo o racismo.”

As experiências de amigos e familiares que enfrentam preconceitos com relação à idade, deficiências e corpo, serviram de inspiração para algumas das situações que Rossetti ilustra; as experiências pessoais da artista com o racismo e padrões de beleza — Rossetti diz que, como brasileira de pele clara, ela é considerada uma mulher branca no Brasil e um mulher ‘de cor’ na Europa – serviram de inspiração para outras ilustrações.

Como já se imagina, os fãs têm pedido a Rossetti que venda suas ilustrações desde que elas se tornaram uma sensação viral. Ela disse que espera um dia transformar as ilustrações em um livro e pensa em abrir uma loja on-line em breve, onde as pessoas possam comprar suas ilustrações por uma preço acessível. Enquanto isso, Rossetti diz que sua prioridade é ouvir.

"Agora eu estou conversando com essas mulheres [do mundo inteiro] e ouvindo o que elas têm a dizer.”

Confira as ilustrações de Carol Rossetti na galeria abaixo e no Facebook da artista.

As mulheres de Carol Rossetti