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16/07/2014 14:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Um alerta da ONU: Brasil tem 11% de aumento de infecções pelo vírus da Aids nos últimos 8 anos

Wavebreakmedia Ltd via Getty Images

Relatório global divulgado nesta quarta-feira (16) pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (Unaids) traz uma má notícia para o Brasil: as novas infecções por HIV aumentaram 11% entre 2005 e 2013 no País. A América Latina registrou queda de 3% em novas infecções entre 2005 e 2013, mas os índices variam de país para país. O México, por exemplo, registrou queda de 39% e o Peru, de 26%.

No ano passado, o Brasil registrou 47% de todos os novos casos contabilizados na América Latina. A estimativa do Unaids é que 1,6 milhão de pessoas vivem com HIV na região. A maioria dos casos (75%) se concentra em cinco países – Argentina, Brasil, Colômbia, México e Venezuela.

O cálculo é que, na região, dez novas infecções por HIV são registradas a cada hora e aproximadamente um terço das novas infecções na América Latina ocorre em pessoas jovens, com idade entre 15 anos e 24 anos.

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Apesar do crescimento dos novos casos de contaminação pelo vírus da Aids no Brasil, globalmente as novas infecções de HIV caíram 38 por cento desde 2001 (um período de tempo mais extenso do que o destacado no Brasil), segundo o mesmo relatório. Mortes relacionadas à Aids diminuíram 35 por cento desde que atingiram o pico em 2005.

A pesquisa assinala que o número de pessoas infectadas por HIV estava estabilizado em 35 milhões em todo o mundo. A epidemia já matou 39 milhões das 78 milhões de pessoas afetadas desde que começou nos anos 1980.

O vírus de imunodeficiência humana (HIV), que causa a Aids, pode ser transmitido via sangue, amamentação e por sêmen durante o sexo, mas pode ser controlado com coquetéis de drogas conhecidas como terapia antirretroviral.

A Unaids disse que, no fim de 2013, cerca de 12,9 milhões de pessoas HIV positivas tinham acesso a essa terapia - uma grande melhora frente aos 10 milhões com acesso ao tratamento apenas um ano antes e apenas 5 milhões em 2010.

A América Latina continua a ser a região com a maior cobertura antirretroviral do mundo – aproximadamente 45% dos 1,6 milhão de pessoas com HIV que têm acesso à terapia. Novamente, os índices variam de país para país. Brasil, Chile, El Salvador, México, Peru e Venezuela registram mais de 40% de cobertura, enquanto o tratamento na Bolívia alcança menos de 20% das pessoas infectadas.

O relatório ressaltou também que Brasil e Panamá alteraram recentemente o protocolo de atendimento para soropositivos, possibilitando que todas as pessoas com HIV, independentemente da carga viral do paciente, recebam o tratamento.

“O mundo testemunhou mudanças extraordinárias no cenário da Aids. Houve mais conquistas nos últimos cinco anos do que nos 23 anos anteriores”, segundo o relatório. Para o órgão da ONU, seria possível controlar a epidemia até 2030 e eventualmente encerrá-la “em cada região, em cada país”.

“Mais do que nunca, há esperança de que é possível acabar com a Aids. No entanto, uma abordagem corriqueira ou simplesmente sustentar a resposta à Aids no ritmo atual não são suficientes para pôr fim à epidemia”, disse o programa contra Aids da ONU.

O relatório, publicado antes de uma conferência sobre a doença em Melbourne (Austrália) na próxima semana, disse que acabar com a epidemia de Aids até 2030 significaria que a difusão do HIV estaria sendo controlada ou contida, e que o impacto do vírus nas sociedades e nas vidas das pessoas estaria sendo reduzido por significativas quedas no número de doentes, no estigma da doença, nas mortes e no número de órfãos da Aids.

Com Agência Brasil e Reuters.