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13/07/2014 12:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Crítica à CBF causa mal-estar na campanha presidencial do PT

André Dusek/Estadão Conteúdo

Um texto postado na quarta-feira no site Muda Mais, vinculado à campanha à reeleição de Dilma Rousseff, causou constrangimento à presidente e provocou um atrito com o Palácio do Planalto. Segundo relato de pessoas ligadas à campanha, Dilma ficou "muito irritada" com o post que atacava o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin - que estará ao lado dela neste domingo (13), no Maracanã, para a entrega da taça ao campeão da Copa do Mundo.

Para tentar contornar o mal-estar criado pelo site ligado à sua campanha, a presidente pediu que o post fosse retirado do ar, ou que seu autor assumisse a responsabilidade pelo texto. Os dois pedidos não foram atendidos. O incidente teria levado a uma conversa dura entre o ex-ministro Franklin Martins, responsável pelo monitoramento das redes sociais, e a própria presidente, o que gerou especulações de que ele poderia deixar a campanha - que teriam partido do próprio ministro, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

No sábado (12), procurado pelo Estado, o ex-ministro negou a informação. "Não teve estresse algum entre eu e a presidente", afirmou Franklin.

O Planalto nega que Dilma tenha conversado com o ex-ministro sobre o conteúdo do Muda Mais. O comitê de campanha também não confirma a informação.

‘Arena’

O texto do post dizia que "a terrível eliminação da seleção na Copa do Mundo reforçou o que há muito se dizia: a organização do futebol brasileiro está ultrapassada e presa ao nome de poucas figuras que revoltam o torcedor faz algumas décadas".

Afirma ainda que depois de ficar "por infindáveis 23 anos, nas mãos de Ricardo Teixeira", a CBF passou, em 2012, para o comando de José Maria Marin. "Marin foi deputado estadual pela Arena e em 1975 proferiu um discurso contra a TV Cultura, que por muitos é visto como um dos desencadeadores da morte de Vladimir Herzog, ex-diretor de telejornalismo da Cultura, encontrado morto 16 dias depois" dizia o texto, que no sábado (12) permanecia na página do site.

O post criou uma queda de braço entre integrantes da própria campanha de Dilma à reeleição. Um dos dirigentes concordou com Dilma e foi contra o conteúdo do texto, alegando que era "inadmissível" atacar Marin, no momento em que todos estão trabalhando juntos para que o torneio seja concluído com o maior sucesso possível.

Constrangimento’

Segundo informações obtidas pelo Estado, a presidente entendeu que a postagem criticando Marin criou um "constrangimento desnecessário". O grupo da campanha petista que defendia a veiculação do post, contudo, achou que não deveria voltar atrás, embora tenha reconhecido que o tom foi exagerado. Mas não aceitou retirar o post.