NOTÍCIAS
11/07/2014 21:14 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Convocado em processo de ‘rombo' na Petrobras, Campos pede menos futebol e mais debate dos problemas do País

ADROVANDO CLARO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

O ex-governador de Pernambuco e candidato a presidente da República, Eduardo Campos (PSB), teve uma sexta-feira (11) bastante agitada. Se durante agenda em Natal (RN) ele criticou os rivais Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) por suas opiniões em torno do futebol brasileiro, o peesebista acabou vendo o seu nome relacionado a um processo que apura um “rombo” na Petrobras.

Campos deverá ser ouvido pela Justiça Federal, como testemunha de defesa, no caso que investiga a possível participação do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Yousseff em suposto superfaturamento em obras empreendidas pela Petrobras, entre elas a Refinaria Abreu e Lima (PE). Campos e o candidato ao Senado e ex-ministro da Integração, Fernando Bezerra, deverão ser convocados pela JF para prestarem depoimentos nas próximas semanas.

Nesta sexta-feira, Costa e Yousseff participaram de uma audiência de instrução de duas testemunhas de acusação – ambos participantes da Operação Lava Jato da Polícia Federal. Sobre a participação de Campos e Bezerra no processo, o advogado de Costa, Nélio Machado disse que isso deve acontecer. “Continuam (Campos e Bezerra) como testemunhas, embora o juiz tenha solicitado que em cinco dias a defesa diga a motivação para essa indagação; embora não seja razoável o que o juiz solicita, pois a defesa não costuma conversar antes, e a testemunha dirá o que souber diante daquilo que for perguntado”, observou.

“Eu não conheço sequer o senhor Eduardo Campos muito menos a outra testemunha que é um candidato a senador pelo estado de Pernambuco. Mas toda essa acusação, ela vem de uma peça de ficção: a ideia de que havia superfaturamento na construção da Refinaria Abreu e Lima (...). Desconheço qualquer envolvimento do governador, não há nada nos autos nesse sentido, ele jamais foi citado nesse processo”, completou o advogado. Ainda não se sabe se o candidato do PSB tentará alguma medida judicial para não ver o seu nome vinculado a um escândalo que pode ter causado um “rombo” de R$ 10 bilhões, com base nas apurações da PF.

LEIA TAMBÉM

- Eduardo Campos vai ao Maranhão e diz que José Sarney e o PMDB serão oposição

- Dilma terá três vezes mais tempo de TV do que Aécio e 10 minutos a mais do que Campos, divulga TSE

- Aécio ataca ‘apropriação' de Copa, mas colega de PSDB não vê relação entre política e fiasco da Seleção

Longe do processo da Petrobras, Campos cumpriu agenda nesta sexta-feira em Natal. Lá, ele criticou Dilma e Aécio por estarem falando sobre futebol neste momento, quando existem outras questões mais importantes, na opinião do candidato do PSB. “O debate de conteúdo é que precisa ser feito, um debate do bom senso. Pelo visto estão querendo se candidatar a presidente da CBF a Dilma ou o Aécio”, afirmou. “Precisa do envolvimento e escuta da sociedade sobre uma lei de responsabilidade nos esportes de uma maneira geral, precisa fazer isso sem estar contaminado pelo ambiente eleitoral, tem que fazer com responsabilidade”, emendou.

Campos ainda reforçou o que vem dizendo nas últimas semanas – “o País precisa voltar a crescer na economia, conter a inflação, precisa fazer os juros baixar e cuidar do ensino integral” – e rechaçou a referência que tem ouvido, de que a região Nordeste seria um “curral eleitoral”.

“Nordeste é a região onde nasci. Conheço o jeito da nossa gente, nossos sonhos. Muito me incomoda falar do Nordeste como curral eleitoral ou uma urna. Queremos ser olhados como gente, com potencialidades e enxergando com respeito”, disse. Ao analisar o momento econômico do País, Eduardo Campos disse que o Brasil “vive o pior crescimento da história da República, desde a época do Marechal Deodoro da Fonseca”.

O presidenciável, em entrevista coletiva, criticou ainda o marketing feito pela presidente Dilma Rousseff classificando como “vale tudo” e afirmou apostar nas mídias sociais para se tornar mais conhecido no Sul e Sudeste do país, já que ele é do Nordeste e a candidata a vice, Marina Silva, é do Norte. “As mídias sociais têm papel muito importante nas eleições. O povo não aguenta mais o marketing vale-tudo. Aos poucos as pessoas estão se aproximando da política”, observou.

(Com Estadão Conteúdo)