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10/07/2014 21:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Tucanos confusos: Aécio ataca ‘apropriação' de Copa, mas colega de PSDB não vê relação entre política e fiasco da Seleção

VANESSA CARVALHO/BRAZILPHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Se antes os problemas nos preparativos para a Copa do Mundo eram alvo das críticas da oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff, agora é a vez do fiasco da Seleção Brasileira ser alvo do debate eleitoral que começa a esquentar. Entretanto, ao que parece, os tucanos ainda precisam ensaiar um pouco melhor um discurso mais uniforme para o assunto.

Em agenda realizada nesta quinta-feira (10) em Vitória (ES), o candidato tucano à Presidência Aécio Neves afirmou que aqueles que tentaram se apropriar da Copa “vão pagar”. “Quando vieram as manifestações, ela não tinha nada a ver com a Copa do Mundo. Quando a Copa começou a dar certo, parecia até que era a artilheira da Seleção. Acho que quem vai pagar o preço são aqueles que tentarem se apropriar do evento que é de todos os brasileiros”, disse.

E não parou por aí, como reproduziu o jornal O Estado de S. Paulo. “Aqueles que esperavam fazer da Copa do Mundo uma ‘belezura para influenciar nas eleições, vão se frustrar”, complementou Aécio.

A tentativa de colar a imagem de Dilma ao fracasso da Seleção, implícito nas declarações do senador mineiro, ficaram mais claras 24 horas antes, quando o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) disse que o revés do time de Felipão refletia a “corrupção e a promiscuidade na administração do esporte no País”, conforme reproduziu a Agência Senado.

“Nós não podemos ser coniventes, nós não podemos ser complacentes, nós não podemos ser cúmplices dos corruptos e oportunistas que aproveitam esse evento fantástico, de repercussão internacional, para roubar diante de um país que necessita de saúde, de educação, de segurança e de respeito”, afirmou Dias, citando ainda a CPI do Futebol, realizada entre 2000 e 2001 – e que poucas mudanças práticas trouxe ao futebol brasileiro.

O que é curioso é que dentro do próprio PSDB há quem não veja qualquer relação entre “política e o resultado esportivo”. Na quarta-feira (9), o deputado federal Marcus Pestana – este também presidente do diretório do partido em Minas Gerais – afirmou ser “daqueles que sempre achei que não há relação entre a política e o resultado esportivo”. E adicionou: “Isso parte de uma visão equivocada que infantiliza o povo brasileiro”, afirmou, em entrevista a uma rádio de Recife, em declarações reproduzidas pelo site do partido.

Certo é que Dilma e o PT sabem que o revés em campo na Copa será usado, em algum grau, pela oposição nestas eleições, conforme já noticiou o jornal Folha de S. Paulo nesta semana. A presidente, em entrevista à rede americana CNN, procurou enfatizar os ganhos para o País com a Copa, com estádios modernos e obras que serão utilizadas pela população.

Aos tucanos, é preciso ensaiar melhor o discurso.

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