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09/07/2014 14:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

O tormento das mães que cuidam sozinhas das crianças refugiadas da Síria

ADEM ALTAN via Getty Images
A Syrian refugee mother walks with children at a refugee camp in the Turkish border town of Yayladagi in Hatay province on June 26, 2011. Almost 12,000 Syrian refugees were offered shelter in Turkey, and only hundreds complied so far with Syrian President Bashar al-Assad's call to turn back home. AFP PHOTO / ADEM ALTAN (Photo credit should read ADEM ALTAN/AFP/Getty Images)

Mais de 145.000 famílias sírias refugiadas no Egito, Líbano, Iraque e Jordânia estão sendo cuidadas por mulheres que são as únicas provedoras e enfrentam ameaças diárias de violência de gênero enquanto não têm como colocar comida na mesa, disse a ONU em um relatório publicado na terça-feira.

A luta das mulheres como únicas provedoras para uma em cada quatro famílias de refugiados nesses países inclui aguentar ameaças de violência ou exploração, lidar com o trauma psicológico das crianças e estresse, disse o órgão das Nações Unidas para refugiados, ACNUR.

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"As mulheres sírias refugiadas são a liga que está mantendo unida uma sociedade quebrada. Sua força é extraordinária, mas elas estão lutando sozinhas", disse Angelina Jolie, enviada especial da ACNUR em um depoimento.

O relatório da ACNUR é baseado em entrevistas com 135 mulheres nos três primeiros meses deste ano. Todas são as únicas responsáveis por suas famílias depois que seus maridos foram mortos, capturados ou separados de outra forma.

Uma delas, Nuha, chegou ao Cairo com seu marido, mas ele foi morto no serviço. "Eu não quero sair de casa por causa da tristeza em meu coração", disse ela à ACNUR. "Nós deixamos a morte na Síria para encontrá-la esperando por nós aqui no Egito".

Muitas mulheres sofrem assédio verbal e sexual diários de taxistas, motoristas de ônibus, proprietários e outros homens em lojas, mercados, transporte público e até em distribuição de ajuda humanitária.

"Eu estava vivendo com dignidade, mas agora ninguém me respeita porque eu não sou um homem", disse Zahwa, que foi assediada até por outros refugiados enquanto tentava conseguir cupons de comida na Jordânia.

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A maior dificuldade que as mulheres disseram enfrentar é sua incapacidade de pagar aluguel e dar comida aos seus familiares. A terceira é que as famílias estão passando fome.

Muitos dizem que gastaram toda sua economia e até venderam seus anéis de casamento. Cerca de 80% dessas mulheres não tinham um trabalho remunerado e apenas um quinto disseram ter algum tipo de apoio de parentes.

Algumas sobrevivem graças à bondade de donos de terras que deixam elas viver lá de graça, e algumas enviam seus filhos para trabalharem.

Agências da ONU, inclusive a ACNUR, dão dinheiro para um quarto das mulheres, e dois terços das que recebem dizem que dependem completamente dele.

(Com AP)