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09/07/2014 16:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Máfia dos ingressos da Copa: empresa ligada à Fifa isenta executivo de envolvimento com quadrilha

OSVALDO PRADDO/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

A Match Services, empresa para a qual o britânico Raymond Whelan trabalha, não acredita que ele tenha qualquer envolvimento com a máfia de venda ilegal de ingressos da Copa do Mundo no Brasil. O executivo foi libertado na madrugada desta terça-feira (8), poucas horas após ter sido preso pela polícia no Rio de Janeiro.

Em comunicado enviado ao Brasil Post, o porta-voz da Match Andreas Herren disse que Whelan “vai ajudar a polícia em esclarecimentos posteriores” e que a “Match tem total fé de que os fatos provarão que ele (Whelan) não violou nenhuma lei”. O executivo vai reassumir as suas funções na empresa, completa a Match.

De acordo com o delegado Fábio Barucke, Whelan teve a liberdade provisória concedida durante a madrugada desta terça-feira e continua respondendo pelo crime em liberdade, após pagar uma fiança de R$ 5 mil. A polícia disse, em comunicado, que Whelan deverá se apresentar para novo interrogatório.

Em reportagem publicada nesta quarta-feira (9) pelo jornal Folha de S. Paulo, conversas telefônicas interceptadas pela polícia mostram que Whelan teria uma relação bastante íntima com o argelino Mohamadou Lamine Fofana, acusado de chefiar a quadrilha presa na semana passada. Já a Fifa, segundo informou o GloboEsporte.com, mantém uma postura evasiva sobre o esquema descoberto pela polícia do Rio, apesar do discurso de estar colaborando com as investigações.

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A prisão do britânico integra a Operação Jules Rimet, que já resultou na detenção outros 11 suspeitos de envolvimento no esquema de venda ilegal de ingressos da Copa. Segundo a polícia, os suspeitos são acusados pelos crimes de lavagem de dinheiro, cambismo e associação criminosa.

Máfia dos ingressos é mais um revés para a Fifa

A investigação contribui para manchar ainda mais a reputação da Fifa, que enfrenta outras denúncias sobre propinas relacionadas à escolha do Catar como sede da Copa de 2022. A Match é a principal fornecedora de pacotes de viagem para o Mundial e pagou 240 milhões de dólares pela exclusividade dos direitos de venda de pacotes corporativos de hospitalidade para as Copas de 2010 e de 2014.

A empresa possui um contrato vigente com a Fifa até a Copa de 2022 no Catar. “A Fifa continua a cooperar totalmente com as autoridades locais e fornecerá quaisquer detalhes solicitados para auxiliar essa investigação”, disse a porta-voz da entidade, Delia Fischer, lendo um comunicado.

“A Fifa quer reiterar, como mencionado em várias ocasiões, que nosso firme posicionamento contra qualquer forma de violação da lei criminal e está apoiando totalmente as autoridades em nossos esforços conjuntos para reprimir qualquer venda de ingressos não autorizada", disse. “Não podemos comentar além disso sobre esta investigação a respeito da operação Jules Rimet, que é liderada pelas autoridades locais”.

Philippe Blatter, sobrinho do presidente da Fifa, Joseph Blatter, é o presidente da Infront, empresa que possui uma participação de 5 por cento na Match Hospitality, um dos dois braços da Match. De acordo com sua página na Internet, a Match foi designada pela Fifa para fornecer ingressos, acomodação e tecnologia de informação para eventos para a Copa do Mundo.

“A Infront Sports and Media (Infront) ou qualquer um de seus funcionários não estão envolvidos de nenhuma forma com a Match Services, fornecedora de serviços para acomodação, TI e ingressos para a Copa do Mundo da Fifa 2014, e/ou com a Byrom PLC”, disse a Infront em comunicado.

“A Infront é uma acionista minoritária da Match Hospitality, detentora dos direitos para o programa oficial de hospitalidade da Copa do Mundo da Fifa 2014. O presidente e CEO da Infront, Philippe Blatter, não detém qualquer cargo na Match Hospitality. A Infront está apoiando totalmente a Match Hospitality na colaboração com autoridades locais para investigar o caso”, disse.

Fifa ameaçou editora brasileira

Muito do que está vindo a público agora já foi abordado pelo jornalista britânico Andrew Jennings. Em maio, em entrevista à Agência Pública, o jornalista explicou o funcionamento do chamado “mercado negro” dos ingressos da Copa, algo que ele detalha em seu livro Um jogo cada vez mais sujo. “Conseguir um ingresso para a Copa do Mundo é ganhar na loteria”, resumiu.

Reportagem da UOL desta terça-feira aponta que a Panda Books, editora responsável pela publicação do livro no Brasil, foi ameaçada por um processo por conta do conteúdo apurado por Jennings.

(Com Reuters)

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