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07/07/2014 19:35 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Suspeito ligado à Fifa é preso acusado de participar de venda ilegal de ingressos

(Reuters) - A polícia do Rio de Janeiro prendeu nesta segunda-feira o diretor-executivo da Match, empresa ligada à Fifa, suspeito de facilitar o repasse de ingressos a um grupo acusado de venda ilegal

FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO

A polícia do Rio de Janeiro prendeu nesta segunda-feira (7) o diretor-executivo da Match, empresa ligada à Fifa, suspeito de facilitar o repasse de ingressos a um grupo acusado de venda ilegal, informou uma fonte da Polícia Civil. A prisão de Ray Whelan ocorreu no hotel Copacabana Palace, na zona sul do Rio, onde o suspeito estava hospedado. A cúpula da Fifa vem usando o mesmo hotel durante a Copa do Mundo.

“Esse era o nome que aparecia nas conversas”, disse à Reuters uma fonte na Polícia Civil na condição de anonimato.

O diretor da Match, a agência de viagens oficial da Fifa, teve a prisão temporária decretada pela Justiça a pedido da polícia, que temia que ele poderia tentar deixar o país. Whelan foi levado à 18ª Delegacia de Polícia para ser interrogado.

Integrantes do grupo foram presos na semana passada, numa operação que resultou em ao menos 11 detidos, entre eles o franco-argelino Fofana Lamine, que seria o líder da suposta quadrilha. Segundo a polícia, o grupo de Fofana estimava que poderia faturar com a Copa do Mundo no Brasil cerca de R$ 200 milhões.

Na semana passada, a polícia havia informado que as investigações apontavam que ele tinha acesso ao quartel-general da entidade no hotel de luxo na zona sul do Rio de Janeiro, usava um cartão de estacionamento da Fifa para ter acesso a estádios e áreas reservadas. Teria ainda contatos dentro da entidade que lhe permitiam obter ingressos para serem negociados.

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A Fifa informou ao saber da operação, na semana passada, que se reuniria com as autoridades e aguardaria mais informações sobre as investigações antes de se posicionar. A polícia informou que possui aproximadamente 50 mil escutas telefônicas que detalham a participação de cada um dos suspeitos de envolvimento no esquema.

O “mercado negro” de venda de ingressos não é novidade. Em maio, em entrevista à Agência Pública, o jornalista britânico Andrew Jennings explicou o funcionamento do chamado “mercado negro” dos ingressos da Copa do Mundo, algo que ele detalha em seu livro Um jogo cada vez mais sujo. “Conseguir um ingresso para a Copa do Mundo é ganhar na loteria”, resumiu.

De acordo com o jornalista britânico, o esquema envolveria inclusive a Match, empresa que cuida dos negócios relacionados a ingressos, acomodações e hospitalidade nas Copas para a Fifa, e que tem como um dos seus acionista Philip Blatter, sobrinho do presidente da Fifa, Joseph Blatter. A venda irregular de bilhetes nos últimos dois Mundiais fez com que o então vice-presidente da entidade, Jack Warner, fosse obrigado a deixar o cargo.

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