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28/06/2014 16:18 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:46 -02

Nos pênaltis, Brasil vence Chile e mantém vivo o sonho de ser campeão em casa

Estadão Conteúdo

BELO HORIZONTE - O Chile jogou como nunca, mas foi eliminado pelo Brasil como sempre. Em uma partida épica disputada no Mineirão na tarde deste sábado, os chilenos nutriram a esperança de bater o Brasil pela primeira vez na história das Copas: empataram o jogo no tempo regulamentar e levaram o placar de 1 a 1 para a prorrogação tentando o gol salvador que enfim pusesse fim a esta sina de derrotas. E no último ele quase aconteceu.

Mas veio disputa de pênaltis, e Julio Cesar fez os brasileiros reviverem as grandes jornadas de Taffarel nos Mundiais de 94 e 98, defendendo duas cobranças chilenas. A bola na trave de Jara, na derradeira cobrança do Chile, foi a senha para o início da comemoração brasileira, no gramado, nas arquibancadas e em todo o Brasil.

Duas horas antes, a torcida chilena voltou a repetir a festa que fez nas primeiras partidas da Copa, mas, enquanto o Brasil esteve melhor em campo, na primeira metade da etapa inicial, foi sufocada pela torcida brasileira. Antes de a bola rolar, o esperado confronto entre os hinos à capela não ocorreu, já que uma senhora - e lamentável - vaia da torcida do Brasil abafou o canto a plenos pulmões dos chilenos.

Com a bola rolando, o gol de David Luiz, aos 18 minutos, acendeu ainda mais a parte amarela do estádio, que ocupava mais de 90% da arquibancada do Mineirão, lotada por 57,714 pessoas: "Brasil, Brasil!!" era o grito que ecoava e minava qualquer tentativa de incentivo massa "roja".

Aos poucos, porém, o Chile foi melhorando e em uma falha da Seleção Brasileira, chegou ao empate, com Sánchez. O gol, finalmente, deu ânimo à torcida chilena, que fez barulho. No segundo tempo, a partida seguiu em igualdade, levando a decisão para a prorrogação. Tudo poderia ser diferente, no entanto, se o juiz Howard Webb não tivesse anulado o gol de Hulk, aos 9': o inglês viu um toque de braço inexistente. Um erro crasso, decisivo na partida - na véspera da partida, a imprensa chilena se mostrara receosos com uma arbitragem "caseira".

Na prorrogação, com os nervos à flor da pele, os minutos se arrastavam, com os jogadores das duas equipes atuando no sacrifício, abatidos pelo cansaço e pelo calor das Minas Gerais, que não dava trégua. O momento de maior aflição, no entanto, viria no fim, quando Pinilla acertou uma bomba na trave de Julio Cesar. No lance seguinte, Ramires desperdiçou a última chance para a Seleção. Depois de 16 anos, o Brasil voltaria a uma disputa de pênaltis em uma Copa do Mundo.

Dizem que disputa de pênalti é loteria. Falácia, vence quem está mais preparado, emocional, física e mentalmente. E o Brasil não deixaria escapar esta vitória diante de sua torcida. Mesmo com as cobranças desperdiçadas de Willian e Hulk, Neymar fez o seu, na quinta cobrança e só torceu pelo erro de Jara, que veio. A Seleção está viva e segue sonhando com a glória em casa.

Na próxima sexta-feira, o Brasil volta à Arena Castelão, em Fortaleza, onde empatou sem gols com o México para mais um duelo contra um rival sul-americano, que será definido entre o vencedor da partida entre Uruguai e Colômbia.