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26/06/2014 19:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Prefeito Fernando Haddad, nega alteração no rodízio de carros de São Paulo proposta pelo secretário do Transporte

NELSON ALMEIDA via Getty Images
View of the traffic jam at 23 de Maio Avenue in Sao Paulo, Brazil on June 18, 2014. AFP PHOTO / NELSON ALMEIDA (Photo credit should read NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images)

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad e o secretário municipal do Transporte, Jilmar Tatto têm um impasse em mãos: Jilmar quer um rodízio mais amplo, com horário das 7h às 20h e maior número de placas. Para Haddad, não há, atualmente, condições para isto virar rotina.

O secretário municipal do Transporte, Jilmar Tatto, falou à Rádio Estadão nesta quinta-feira que a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) estuda ampliar o rodízio integral para todo o dia, como tem ocorrido nas ocasiões em que há jogos da Copa do Mundo de futebol na cidade, quando a restrição vigora das 7h às 20h, e não só nos horários de pico. Tatto afirmou ainda, na mesma entrevista, que a Prefeitura poderia aumentar para quatro o número de placas restritas a cada dia da proibição.

Por outro lado, o prefeito Fernando Haddad negou que haja algum estudo para que a cidade passe a ter um rodízio integral a exemplo do que ocorreu nesta quinta-feira, 26.

"Não tenho essa pretensão" afirmou o prefeito paulistano à Agência Estado. "Tomamos essa medida depois que a Câmara recusou a possibilidade de feriado", disse. "Nosso foco hoje é Copa", completou.

Questionado se os efeitos no trânsito da cidade nesses dias poderia servir como um "teste", Haddad afirmou que não recebeu nenhuma notificação da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) sobre o assunto. "Claro que há estudiosos na CET, mas ainda não temos nenhuma sinalização e acho até que seria prematuro ter", afirmou.

Porém, para Tatto, há várias alternativas sendo estudadas. "Uma, por exemplo, é aquela de estender o rodízio além do centro expandido, nas vias principais, o que já foi debatido na cidade. A outra é essa de estender o rodízio o dia todo. A outra é estender, não só duas placas por dia, no centro expandido, mas mais duas, quatro placas por dia." Ele, no entanto, esclareceu que não haveria prazo para que alguma dessas medidas saísse das pranchetas de estudos da CET.

Na opinião do economista Mauro Rodrigues, uma alternativa ao tradicional rodízio, pode ser o pedágio urbano. "O pedágio urbano atua no sentido de desestimular o uso do carro, e permite que se façam esses ajustes na margem. Por exemplo, se a tarifa for R$10 e o trânsito continuar carregado, é só aumentar o preço. E não tem como a pessoa evitar o pagamento comprando outro veículo. Mais uma vantagem: ao contrário do rodízio, o Estado acaba arrecadando recursos nesse caso" explica Mauro neste texto que compara as duas modalidades.

Metas e Ciclovia

A hesitação de Fernando Haddad diante de um rodízio que tire ainda mais carros de circulação em São Paulo acontece após o anúncio da criação de 400km de ciclovias no último 4 de junho.

A medida segue o plano de metas do governo de Haddad, que previa, no seu texto original, 400km de vias "cicláveis" -- o que pode incluir não apenas ciclovias, mas ciclofaixas e ciclorrotas. Na opinião da urbanista Raquel Rolnik, apesar dos esforços ainda é preciso de políticas verdadeiramente pro-ciclismo para que este modal se torne uma alternativa verdadeira de mobilidade: "as políticas municipais e estaduais ainda não incorporaram a bicicleta como meio de transporte. Isto que nós vemos nas ruas, com vias para o lazer, é legal, para passeios, mas isto não é um sistema de mobilidade."

com Estadão Conteúdo