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26/06/2014 13:07 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

No ‘Dia do Satanista', Jair Bolsonaro tumultua convenção do PP que agora é contestada na Justiça

A convenção do Partido Progressista (PP), realizada nesta quarta-feira (25) e que oficializou o apoio da sigla à reeleição da presidente Dilma Rousseff, segue dando o que falar. Nesta quinta-feira (26), a senadora Ana Amélia (PP-RS) entrou com um pedido para que a decisão partidária seja anulada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A confusão, como não poderia deixar de ser, teve a participação do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).

“Eu ainda sou candidato à Presidência da República pelo PP”, abriu Bolsonaro em seu discurso, que durou 15 minutos, para aplausos de alguns presentes. Exaltado, criticou a postura do partido em seguir apoiando o governo federal em meio a reportagens de corrupção. Sobrou tempo ainda para o parlamentar falar que, coincidentemente, a convenção do PP ocorria no “Dia do Satanista”, que também seria comemorado em 25 de junho e criticar José Dirceu.

O ex-chefe da Casa Civil petista segue preso pela sua condenação no caso do mensalão e Bolsonaro não poupou críticas, chamando Dirceu de “presidiário” e exaltou o “querido” colega Paulo Maluf (PP-SP), este procurado pela Interpol.

A confusão causada por Bolsonaro foi apenas uma das que a convenção do PP registrou. Liderado pela senadora Ana Amélia – também candidata ao governo do Rio Grande do Sul –, um grupo do partido esperava que a sigla ficasse neutra nas eleições presidenciais deste ano. A decisão de apoiar Dilma, proferida pelo presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PP-PI), irritou vários parlamentares. “Estou extremamente desolada com o que aconteceu”, afirmou Ana Amélia.

Na manhã desta quinta-feira, a senadora e outros sete integrantes do Diretório Nacional do PP - o governador de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho; os deputados federais Esperidião Amin, Dimas Fabiano e Jerônimo Goergen; o presidente do PP-RS, Celso Bernardi; a 2ª vice-presidente do PP Nacional, Ângela Amin; e o advogado Pedro Feiten - protocolaram ação cautelar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na ação, os parlamentares pedem que os efeitos da convenção do PP sejam suspensos, uma vez que não houve a contagem dos votos dos convencionais durante a deliberação sobre o apoio do partido à candidatura a Presidente da República. “O presidente do PP Nacional, Ciro Nogueira, declarou aprovada por aclamação resolução que deixaria a cargo da Executiva a decisão sobre o apoio na candidatura a presidente. A proposta, contudo, não foi votada e, consequentemente, aprovada”, diz a nota, divulgada no site da senadora Ana Amélia.

Em nota divulgada na tarde desta quarta-feira, o PP diz que só os diretórios de Minas Gerais e Rio Grande do Sul eram contrários à aliança nacional com o PT. “A maioria quer o apoio à presidente. Já está sacramentado o apoio”, disse Ciro Nogueira, depois da reunião da Executiva Nacional. De acordo com ele, dos 27 diretórios, apenas dois – Minas Gerais e Rio Grande do Sul – foram contrários na convenção. “Sempre ouvimos democraticamente a todos. São 27 diretórios e apenas dois se rebelaram de forma inadequada. A senadora Ana Amélia não é a única da convenção”.

Nas contas dos dissidentes, no entanto, pelo menos sete diretórios (Santa Catarina, Amazonas, Ceará, Goiás, Rio de Janeiro, além de Minas e Rio Grande do Sul) eram favoráveis à neutralidade do partido. “A forma como a imposição foi tentada sobre os convencionais é preocupante. O que está atrás disso?”, questionou a senadora.

(Com Estadão Conteúdo e Agência Brasil)

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