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26/06/2014 16:14 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Mais de 10 mil pessoas foram mortas por policiais militares em SP nos últimos 19 anos, diz site

FERNANDO NEVES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A Polícia Militar do Estado de São Paulo matou 10.152 pessoas nos últimos 19 anos, entre julho de 1995 e abril de 2014. A informação consta em reportagem do jornalista André Caramante (ex-Folha de S. Paulo) no site Ponte, que estreou nesta semana e que reúne informações sobre Segurança Pública, Justiça e Direitos Humanos. O número corresponde a uma média de 45 mortes atribuídas a PMs por mês em SP.

Ainda segundo o levantamento, 8.277 mortes atribuídas a PMs aconteceram em serviço de policiamento, enquanto outros 1.875 casos foram registrados fora do serviço oficial – nos chamados “bicos”. Os dados remetem a 1995 – quando a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo passou a divulgar dados estatísticos sobre a violência no Estado – e também mostram um crescimento quase que gradativo nos civis mortos pela PM.

“Entre 2008 e 2012, a PM paulista matou 9,5 vezes mais do que todas as polícias dos Estados Unidos juntas durante o trabalho de policiamento (...). O índice de São Paulo está mais próximo do México, marcado por uma guerra contra os cartéis do narcotráfico. Em 2011, o país registrou a taxa de 1,37 mortes por 100 mil habitantes, ante 1,13 no Estado mais rico do Brasil, São Paulo”, aponta a reportagem.

Procuradas, nem a Polícia Militar ou a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo falaram sobre o levantamento.

Situação nos protestos também preocupa

A reportagem da Ponte é publicada quase que simultaneamente ao pedido feito pela organização de direitos humanos Human Rights Watch, para que sejam investigadas as ações policiais em protestos ocorridos durante a Copa do Mundo. “Se a violência aparece durante manifestações, as autoridades precisam restabelecer a ordem, mas isso não dá direito do uso excessivo da força pela polícia”, afirmou a diretora da organização, Maria Laura Canineu.

Apenas nestes atos durante o Mundial no País, mais de uma dezena de pessoas ficaram feridas em confrontos entre manifestantes e policiais, incluindo cinco jornalistas. Segundo a Human Rights Watch, “em vários incidentes, a polícia parece ter usado força excessiva, incluindo agressões a pessoas que não resistiram a prisão”, diz um trecho do comunicado divulgado pela organização.

“Desde o início dos protestos no ano passado, a presidente Dilma Rouseff e outras autoridades pediram que a polícia respeitasse os direitos dos manifestantes e dos jornalistas. É a mensagem certa, mas precisa ser suportada por investigações sobre os incidentes desde o ano passado, nos quais a polícia falhou em respeitar os direitos das pessoas”, completou Maria Laura.

Vale lembra que, em São Paulo, nenhuma irregularidade na conduta de PMs foi encontrada pela Polícia Militar em relação aos protestos do ano passado, conforme informou a BBC Brasil neste ano.

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