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24/06/2014 13:58 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Gol contra: em tempos de Copa, Romário é a figura emblemática do ‘bacanal eleitoral'

Reprodução/Facebook

Parafraseando Raul Seixas, a política brasileira pode ser chamada de verdadeira “metamorfose ambulante”. Você duvida? Na seara eleitoral que cada vez mais se afunila e promete esquentar a partir do próximo mês, as alianças vão se formando e nem sempre parecem lógicas. Nenhum Estado parece tão “esquizofrênico” nesse campo como o Rio de Janeiro, pelo menos até agora. É de lá a figura mais emblemática daquilo que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, chamou de ‘bacanal eleitoral’.

Há exatos 24 dias, o deputado federal Romário (PSB-RJ) foi alvo detonado pelo PT na página do partido no Facebook. Foi uma reação às muitas críticas feitas pelo ‘Baixinho’ à Copa do Mundo.

A ironia é, em pleno Mundial em andamento no Brasil, o parlamentar – que fez fama como símbolo do tetracampeonato da Seleção Brasileira, em 1994 – acabou de integrar nesta semana a chapa que une PT, PSB, PCdoB e PV em torno da campanha do senador Lindberg Farias (PT-RJ) ao governo do Rio. As reações, em sua maioria, foram de reprovação a Romário, que se defendeu e pediu “um voto de confiança”.

Ninguém discute que alianças estaduais, em diversas regiões do País, fogem ao cenário nacional, este muito polarizado entre PT, da presidente Dilma Rousseff, e PSDB, cujo candidato à Presidência da República é o senador Aécio Neves. Entretanto, no Rio a questão é bastante particular. Explica-se: o PMDB, que apoia Dilma no âmbito nacional, vai apoiar Aécio no Estado; já o PT, de Dilma, no Rio terá ainda a parceria do PSB de Eduardo Campos, este candidato da sigla ao Palácio do Planalto.

Tudo parece uma bagunça, não é? E nem toda a classe política fluminense parece estar gostando. Um deles é o prefeito do Rio, Eduardo Paes, que chamou a aliança do seu partido, o PMDB, com Aécio. Para que ela fosse possível, adicionando o DEM ao palanque, o ex-governador Sérgio Cabral teve de abrir mão para o ex-prefeito da capital, César Maia, se candidatar ao Senado Federal. ‘Desafeto’ de Cabral e Paes, Maia ganhou um destaque desagradável para o atual governante do município.

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“Depois da suruba, o que se vê agora é o bacanal eleitoral, e o Rio não pode ser vítima dele”, afirmou Paes, em declarações reproduzidas pela Veja. Ele seguiu o raciocínio do deputado federal Alfredo Sirkis (PSB-RJ), outro insatisfeito com a aliança do próprio partido no Rio. “Sou totalmente contrário a essa coligação. Nada contra o senador, pessoalmente. Mas perdoem-me o recurso ao chulo: isso não seria uma coligação, mas uma suruba!”, disse, em entrevista ao jornal O Globo.

Caberá ao eleitor, em outubro, decidir qual ‘bacanal’ é mais aceitável na hora de decidir os seus candidatos.