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23/06/2014 08:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

John Kerry pressiona primeiro-ministro do Iraque sobre "nova guerra" no país

Brendan Smialowski/Reuters

O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, se encontrou nesta segunda-feira em Bagdá com o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, para pressionar por um governo mais inclusivo num momento em que forças federais abandonaram postos na fronteira com a Jordânia, deixando toda a fronteira oeste do Iraque fora do controle governamental.

Tribos sunitas assumiram o controle de um posto de passagem na fronteira entre o Iraque e a Jordânia na noite de domingo, depois que o Exército do Iraque se retirou da área após um confronto com rebeldes, disseram fontes do setor de inteligência iraquiano e jordaniano.

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As tribos estão negociando a entrega do posto aos insurgentes do grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) que no fim de semana assumiram o controle de dois importantes postos de passagem na fronteira síria.

Kerry iria "discutir as ações em andamento dos EUA para ajudar o Iraque num momento em que se confronta com essa ameaça e fazer um apelo aos líderes iraquianos para que conduzam o mais rápido possível seu processo de formação do governo, de modo a formar um governo que represente os interesses dos iraquianos", disse a porta-voz do Departamento de Estado Jen Psaki.

Kerry declarou no domingo que os Estados Unidos não iriam definir ou escolher quem dirige Bagdá. Ele afirmou, contudo, que o governo norte-americano notou a insatisfação entre curdos, sunitas e alguns xiitas com o modo de Maliki governar o país e enfatizou que os EUA querem que os iraquianos "encontrem uma liderança que esteja preparada para ser inclusiva e dividir o poder".

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Uma autoridade do Departamento de Estado disse que os EUA acreditam que houve uma desaceleração no avanço dos militantes rumo a Bagdá, embora a tomada de remotas passagens de fronteira seja motivo de grande preocupação.

Irã

O líder supremo do Irã acusou os Estados Unidos neste domingo de tentar retomar o controle do Iraque, explorando as rivalidades seculares, enquanto os insurgentes sunitas se dirigiam para Bagdá a partir de novas fortalezas ao longo da fronteira síria.

A condenação da ação dos EUA pelo Aiatolá Ali Khamenei veio três dias depois do presidente Barack Obama se oferecer para enviar 300 conselheiros militares para ajudar o governo iraquiano. Khamenei pode querer bloquear qualquer escolha de um novo primeiro-ministro por parte dos EUA, depois de reclamar em Washington sobre o primeiro-ministro xiita, Nuri al-Maliki.

Neste domingo, militantes invadiram um segundo posto de controle na fronteira com a Síria, chegando a duas semanas com rápidas conquistas territoriais, enquanto o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) persegue o objetivo de ter sua própria base de poder, um “califado” abrangendo os dois países, o que gerou alarme em todo Oriente Médio e no Ocidente.

"Somos categoricamente contra uma intervenção dos EUA ou de qualquer outro país no Iraque", disse Khamenei, segundo a agência de notícias IRNA.

“Não aprovamos isso, já que acreditamos que o governo iraquiano, a nação e as autoridades religiosas são capazes de acabar com a sedição".

Alguns observadores iraquianos interpretaram seu comentário como um aviso para que não tentem escolher seu próprio substituto para Maliki, a quem muitos no Ocidente e no Iraque responsabilizam pela crise. Em oito anos no poder, ele alienou muitos da minoria sunita, que dominou o país durante o governo do ditador deposto, Saddam Hussein.

(Com agência Reuters)