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23/06/2014 17:05 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Agência internacional de notícias fala sobre os feriados do Brasil durante a Copa

Leo Correa/Reuters

A agência internacional de notícias Associated Press publicou nesta segunda-feira uma matéria sobre “o prejuízo dos dias preguiçosos para o comércio do Brasil”.

A agência pesa os prós e os contras da série de feriados e conclui que o Brasil não está sozinho nessa onda. Leia a seguir o texto na íntegra:

Em vez de ir para o trabalho, Catia Santiago passou sua manhã de segunda-feira nas areias douradas da praia de Cobacana, no Rio de Janeiro, absorvendo os raios solares sem um pingo de culpa, graças à Copa do Mundo.

Entre as celebrações do carnaval e um cumprimento generoso de feriados católicos, os brasileiros gozam de um calendário recheado de dias de folga. Mas, este ano, os trabalhadores estão tendo ainda mais tempo livre por causa do evento futebolístico de um mês de duração.

Os feriados extra estão ajudando a esvaziar as ruas sempre congestionadas do Brasil para facilitar a ida dos fãs aos estádios. Mas enquanto muitos funcionários como Santiago abraçaram a medida, críticos dizem que esta prejudica o comércio brasileiro.

A Fecomercio prevê que a indústria de bens, serviços e turismo pode perder até 13,5 bilhões de dólares devido à produtividade perdida e a importância de pagar o dobro do salário a quem trabalha em feriados nacionais. No entanto, o Ministério do Exterior disse que a Copa vai injetar muito dinheiro na economia do país, o que cobriria essas perdas.

Com a prefeitura do Rio declarando como feriado ou ao menos “meio feriado” nos dias em qua as partidas acontecem no estádio do Maracanã e com muitas lojas fechando quando a seleção brasileira joga, a semana passada teve apenas dois dias normais na cidade de 12 milhões. Esta semana será parecida.

Mas enquanto empresários se queixam das perdas, funcionários tiram vantagem do tempo livre. “Eu vou sofrer uma queda financeiramente”, diz Santiago, uma vendedora de produtos para cabelos de 35 anos, enquanto ela descansava com seu biquíni antes da partida entre Brasil e Camarões. “Eu provavelmente vou ganhar entre 30 e 50% a menos, mas eu vou ter 200% a mais de diversão do que o normal”.

Mas nem todos estavam tão entusiasmados. Outra vendedora, Katia Andredade, 52, anos, que trabalha para uma companhia de armazenamento de dados online, estava irritada com os feriados. “A Copa do Mundo está literalmente me custando dinheiro”, disse ela, que culpa o evento por ter ficado para trás na sua meta anual de vendas. “Desde o começo do ano, os projetos estão sendo atrasado, com todo mundo colocando prazos para depois da Copa. E agora, com feriado quase todos os dias, é impossível terminar qualquer tarefa”.

Um artigo recentemente publicado no site de Veja, uma revista de direita, disse que os feriados são uma “confissão de incompetência”, uma prova de que as autoridades tiveram que “dar um jeitinho” no tráfego em vez de construir infraestrutura adequada.

“O governo teve sete anos para se preparar para o evento - sete anos! Claro que não foram capazes”, disse Rodrigo Constantino. “E agora adotam a solução típica brasileira, que é a gambiarra, o jeitinho. “Isso, definitivamente, não é um país sério”, conclui.

Mas o Brasil não é o único que vive um desaceleramento relacionado à Copa. Com México e Chile jogando também nesta segunda, os funcionários desses países fizeram meio expediente para voltar cedo para casa e assistir às partidas.

(Com Associated Press)