NOTÍCIAS
22/06/2014 20:32 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

A história do padre transgênero que celebrou culto na Catedral Nacional de Washington neste domingo (22)

Ele se chama Cameron Partridge.

Tem 40 anos, é casado e pai de dois filhos pequenos.

Cristão de fé e formação, é membro da Igreja Episcopal – uma instituição cristã dos Estados Unidos, independente mas associada à tradição do anglicanismo (surgido na reforma protestante no século 16, na Inglaterra).

Na vanguarda da defesa de direitos humanos e minorias, essa igreja progressista não considera a homossexualidade um pecado. E, como evidência de seu respeito pela diversidade, celebra casamentos gays e ordena padres transgêneros.

E esse é o caso de Cameron, que nasceu do sexo feminino, mas nunca se reconheceu como mulher.

'Sair do armário' duas vezes

Jovem, sentia interesse por outras mulheres ao mesmo tempo em que percebia despertar a vocação religiosa.

Quando começou a estudar na Faculdade Bryn Mawr, na Pensilvânia, assumiu-se lésbica, mas não "saiu do armário" apenas na sexualidade.

"Eu vinha lutando contra minha vocação por alguns anos. Na faculdade, mergulhei no trabalho acadêmico, sobretudo gênero, sexualidade e religião, mas também sentia um chamado ao sacerdócio", disse Cameron, em entrevista ao Religion News Service em 2013.

"O sacerdócio não era muito comum nos contextos do meu ensino médio e da minha faculdade. Então, compartilhar isso com meus amigos foi como sair do armário. Era uma coisa surpreendente para se fazer", comparou.

Cameron se formou em teologia pela Harvard Divinity School.

Aos 22 anos, apaixonou-se pela mulher com quem decidiu passar o resto da vida.

Em 2001, com 28, tornou-se legalmente um homem.

Culto na Catedral Nacional de Washington

Cameron Partridge foi ordenado padre da Igreja Episcopal em 2005, segundo o site Religion & Politics.

Especializou-se no trabalho com jovens adultos, sobretudo na justiça social nas áreas de gênero, classe social e sexualidade.

No ano passado, tornou-se capelão da Boston University. Sua produção acadêmica na área de teologia, "a presença pastoral e a paixão profunda pelo Evangelho" sobressaíam.

Por isso, o decano da Catedral Nacional de Washington convidou Cameron a pregar no local. O reverendo Gary Hall enviou um comunicado ao Huffington Post explicando a escolha pelo padre transgênero para celebrar o culto deste domingo (22).

Como defensor tanto dentro da igreja quanto para a comunidade, espero que a presença de Cameron no púlpito envie uma mensagem simbólica de apoio à maior igualdade para a comunidade de transgêneros, que sofre com atos de violência, discriminação, desemprego, abandono e desigualdade financeira. Nós, da Catedral Nacional de Washington, estamos nos esforçando para mandar uma mensagem de amor e afirmação, especialmente para os jovens LGBT que sofrem diariamente por causa da identidade de gênero ou orientação sexual. Queremos proclamar a eles de maneira orgulhosa e inequívoca: 'A sua identidade de gênero é boa e a sua orientação sexual é boa porque foi assim que Deus fez você'.

Cameron pregou do púlpito de Canterbury, em prol do mês do orgulho da comunidade LGBT. Segundo a Reuters, ele disse que estava orgulhoso de fazer parte de uma igreja que se movimenta para aceitar todas as pessoas – independentemente de identidade de gênero e orientação sexual. "Nunca vou esquecer este dia", tuitou, após o sermão.

Muito grato pela oportunidade de pregar esta manhã e pela hospitalidade calorosa da comunidade. Nunca vou esquecer este dia.

Apenas percebendo agora que as pessoas estavam tuitando meu sermão em tempo real nesta manhã -- uau! #tocado

"Um dos melhores caminhos para combater culpa, solidão e depressão de gays, lésbicas e transgêneros é por meio das amizades e da atuação deles na comunidade. A abertura, a honestidade e o amor podem ajudá-los a superar a opressão", defendeu Cameron, na pregação deste domingo (22).

Ele foi o primeiro padre abertamente transgênero a pregar na Catedral Nacional de Washington.