NOTÍCIAS
18/06/2014 10:06 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Situação do Iraque piora com maior refinaria em risco e sequestro de estrangeiros

Karim Kadim/AP

Informações contraditórias a respeito do Iraque estão sendo divulgadas pela imprensa internacional nesta quarta-feira (18). O Exército iraquiano diz que expulsou rebeldes da cidade de Banji, onde fica a maior refinaria do país, enquanto uma fonte da refinaria disse à Reuters que militantes sunitas tomaram o controle do local.

"Os militantes conseguiram invadir a refinaria. Agora eles estão controlando unidades de produção, prédios administrativos e quatro torres de observação. Isso representa 75 por cento da refinaria", disse o funcionário falando do interior das instalações. Ele afirmou ainda que continuam os confrontos entre os militantes e as forças de segurança perto da principal sala de controle.

Já o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, contou uma versão diferente da história. Segundo ele, seu governo recuperou a refinaria após uma “derrota surpresa” das forças de segurança pelos militantes.

Em um comunicado televisivo, al-Maliki disse que a perda de uma grande parte do território ao norte do país na semana passada ajudou o Iraque a “recuperar sua união nacional”. “Conseguimos conter os ataques e agora começamos nossa contraofensiva, recuperando a batalha e atirando de volta”, disse.

A refinaria de Baij é responsável por mais de um quarto da capacidade total de refinarias do país, ou seja, é essencial para o consumo de gasolina, óleo de cozinha e combustível para geração de energia. Se a refinaria estiver em risco, pode ocorrer uma crise energética no país, provocando ainda mais caos no Iraque. Além disso, diplomatas disseram estar investigando denúncias de que 100 operários estrangeiros foram sequestradas em áreas de controle do Exército.

Irã

Como se o Iraque não tivesse já problemas demais, o presidente iraniano, Harran Rouhani, disse nesta quarta-feira que o Irã não vai hesitar em defender os locais sagrados dos muçulmanos xiitas no vizinho Iraque contra "assassinos e terroristas".

Falando ao vivo na televisão, Rouhani afirmou que muitas pessoas se apresentaram para ir ao Iraque defender os santuários e "colocar os terroristas em seu lugar". Ele acrescentou que os combatentes veteranos das comunidades iraquianas sunitas, xiita e curda estão também "prontos para o sacrifício" contra essas forças militantes.

"No que se refere aos lugares sagrados xiitas em Karbala, Najaf, Khadhimiya e Samara, nós anunciamos aos assassinos e terroristas que a grande nação iraniana não vai hesitar em proteger santuários", disse ele, falando a uma multidão durante uma visita à província ocidental de Lorestan.

Rouhani declarou no sábado que o Irã nunca enviou quaisquer forças para o Iraque e é bem improvável que faça isso algum dia. Mas diplomatas ocidentais suspeitam que o Irã mandou tempos atrás ao país vizinho alguns integrantes de sua Guarda Revolucionária, unidade linha-dura que atua em conjunto com o Exército, para aconselhar o Exército iraquiano e as milícias que as apoiam.

(Com AP e Reuters)