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15/06/2014 15:56 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Eleições 2014: Padilha e Skaf são lançados candidatos contra Alckmin

Dois candidatos da base governista já são oficialmente candidatos ao Governo de São Paulo e terão a difícil tarefa de derrotar o tucano Geraldo Alckmin, candidato à reeleição, líder nas pesquisas segundo o Datafolha. Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), com 21% das intenções de voto, será candidato pelo PMDB do vice Michel Temer. Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde, sairá pelo PT.

O ex-presidente Lula conversa com seu afilhado político Alexandre Padilha, candidato ao governo paulista pelo PT

Pouco conhecido, Padilha tem apenas 3% das intenções de voto, mas conta com a benção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presente à convenção do PT em São Paulo neste domingo (15). A do PMDB ocorreu no sábado (14).

Para evitar uma saia justa porque PT e PMDB são os principais partidos de sua base política, a presidente Dilma Rousseff acabou não participando de nenhuma das duas convenções. Mas mandou um vídeo que foi exibido no encontro que lançou Padilha.

"São Paulo não pode mais confiar em volume morto", afirmou Dilma no vídeo, sobre o uso da água mais profunda (normalmente não utilizada) do Sistema Cantareira para abastecer a cidade de São Paulo. Em diversas oportunidades nos últimos meses, a presidente acusou o atual governador Geraldo Alckmin, do PSDB, de falta de planejamento na gestão da água no Estado.

Dilma exaltou programas do governo federal presentes em São Paulo, como o Minha Casa Minha Vida, e obras que estão sendo realizadas com a ajuda do governo federal, como o Rodoanel. Disse ainda que os eleitores terão oportunidade de conhecer melhor Padilha e as ações do PT durante a campanha eleitoral na televisão.

Em discurso no ato político do PT, Padilha fez diversas críticas ao PSDB, que governa São Paulo há quase 20 anos e a Alckmin, que exerce seu terceiro mandato como governador e tentará se reeleger em outubro. Assim como em 2012, durante a campanha para a Prefeitura vencida pelo petista Fernando Haddad, outro candidato pouco conhecido lançado por Lula, Padilha enfatizou a importância de o governo estadual trabalhar em sintonia com o governo federal (e a Prefeitura de São Paulo).

Padilha criticou a administração do governo tucano com relação à educação, criticando o sistema de progressão continuada e prometendo parcerias com o governo federal para o ensino profissionalizante. "Nos lugares onde o governo do PSBD só criou presídios, nós vamos criar escolas técnicas", disse.

Na área de segurança, o ex-ministro adotou um discurso duro, com a intenção de atrair votos do eleitorado mais conservador de São Paulo, que nas últimas eleições votou no PSDB. Padilha prometeu rigor contra o crime e total combate à impunidade, dizendo que pretende usar a parceria e a técnica da polícia federal para, se for necessário, sufocar o fluxo financeiro das facções criminosas e que pretende fazer funcionar o bloqueio de celulares nas penitenciárias. "Tecnologia pra isso já existe. O que não existe é pulso firme para fazer o que tem que ser feito."

Com relação ao sistema de transporte sobre trilhos do governo paulista, alvo de denúncias de corrupção, Padilha disse apenas que era preciso transparência para mudar de verdade o metrô e o trens de São Paulo, com maior fiscalização das parcerias e da realização das obras.

Por fim, ele lembrou que em suas 'veias corre o sangue paulista' e citou sua trajetória como médico, a experiência de trabalho em comunidades isoladas, como a Amazônia, e a importância dessa experiência na implantação do programa Mais Médicos do governo federal. "Foi ali, na distante Amazônia, que nasceram minha determinação e minha coragem para romper resistências e, assim, levarmos, em apenas 8 meses, médicos para 50 milhões de brasileiros." Padilha, que nasceu em São Paulo, transferiu seu domicílio eleitoral de Santarém, no Pará, para a capital paulista em 2013, após ter sido escolhido por Lula para disputar o governo paulista.

O presidente licenciado da Fiesp, Paulo Skaf, é lançado candidato do PMDB ao Governo de SP pela segunda vez

Já Paulo Skaf, presidente licenciado da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), foi oficializado candidato do PMDB no sábado. É a segunda vez que ele se candidata ao cargo. 'Apesar de o PMDB ser o principal aliado do PT no governo federal, e de ter decidido apoiar a reeleição de Dilma e do Michel Temer, Skaf disse que, em São Paulo, buscará fazer uma campanha independente. Ele descartou a presença de Dilma em seu palanque, ao menos no primeiro turno.

"Eu não creio que haja esse palanque (com Dilma) porque o PT tem candidato a governador", afirmou. "Vamos lutar por total independência para ganharmos as eleições seja do PT ou do PSDB." Skaf tentou capitalizar em cima de sua dianteira na pesquisa Datafolha. "Mudou a polarização que existe há 20 anos em São Paulo. Agora, PMDB e PSDB estão polarizados", disse. Ele também prometeu construir 70 km de metrô na capital em quatro anos de mandato.

A presidente Dilma já disse considerar a candidatura Skaf importante para levar a disputa em São Paulo ao segundo turno. "Temos duas candidaturas, a do ex-ministro Padilha e a do Skaf", afirmou. Para o PT, uma vitória em São Paulo, bastião do PSDB, é muito importante, mas não será fácil quebrar a hegemonia tucana no Estado. Nas últimas duas eleições, o PSDB venceu no primeiro turno.

Agora, se Padilha não emplacar e houver segundo turno, o PT terá de apoiar Paulo Skaf, presidente da Fiesp. Por mais que o PT tenha mudado e, durante o governo Lula, desenvolvido uma boa relação com banqueiros e empresários, será algo interessante e inédito de se ver.

Com Estadão Conteúdo