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11/06/2014 10:26 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Jornal britânico pede torcida por manifestantes durante a Copa

Cristiano Borges/Reuters

Em um artigo publicado no jornal britânico The Guardian, o ex-jogador de futebol e professor universitário Jules Boykoff defende a torcida para os manifestantes que protestam contra a Copa do Mundo no Brasil. “A Copa do Mundo no Brasil começa na quinta-feira, mas não é preciso esperar a ação - o festival do descontentamento já começou”.

Boykoff comenta alguns protestos da última semana, como o dos sem-teto no Itaquerão, dos índios em Brasília, da greve dos metroviários em São Paulo e a ameaça do grupo Anonymous de fazer cyberataques contra os patrocinadores da Copa. “Essas intervenções merecem atenção genuína, mas a solidariedade à distância vai além. Para os milhões de pessoas assistindo à Copa do Mundo - e os protestos - à distância, está na hora de focarmos no marionetista plutocrático por trás do processo inteiro: a Fifa”.

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Há bons argumentos apresentados pelo colunista, como o fato de a Fifa ter lucrado 4,5 bilhões com a venda de ingressos para a Copa e o modus operandi da organização, de pousar em um país, aproveitar a dispensa de pagamento de impostos, lucrar com a receita dos patrocinadores oficiais e ir embora. “Se nós podemos forçar uma reforma dentro de uma corporação importante este mês, talvez possamos parar de armar nossas celebrações internacionais como festas tortas para os ricos às custas de todo mundo. Houve pedidos de abolir a Fifa, mas os manifestantes estão certos: claro, o mundo seria um lugar melhor sem a Fifa, agora custa ter um pouco de democracia?”

O colunista comenta a série de escândalos de corrupção da Fifa e o fato do presidente Sepp Blatter estar à frente da “família Fifa” desde 1998 “como um chefe de máfia”. Agora, o maior escândalo enfrentado pela Fifa são as acusações de corrupção, no caso seus executivos são acusados de terem aceito propina para escolher o Catar como sede da Copa de 2022 - e Blatter disse que as críticas são, na verdade, “racismo”.

“Então, ouça o maior coro de descontentamento - não vai ter copa - enquanto você aproveita os jogos. Apenas não ignore as frases das ruas, “na copa vai ter luta”, e não se esqueça que os manifestantes também são uma seleção para se torcer”, finaliza Boykoff.