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10/06/2014 10:23 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Hillary aproveita lançamento de biografia para brilhar em "campanha" discreta

BRENDAN SMIALOWSKI via Getty Images
Former Secretary of State Hillary Clinton waits to speak at the World Bank May 14, 2014 in Washington, DC. Former Secretary of State Hilary Clinton and World Bank President Jim Yong Kim joined others to speak about women's rights. AFP PHOTO/Brendan SMIALOWSKI (Photo credit should read BRENDAN SMIALOWSKI/AFP/Getty Images)

Hillary Clinton lança nesta terça-feira (09) sua biografia Hard Choices (“Escolhas Difíceis", em inglês), sobre os quatro anos em que ocupou o cargo de secretária de Estado americana. Ela está lançando o livro em uma turnê pelo país que, segundo críticos, é praticamente uma campanha eleitoral disfarçada. Está aproveitando o momento: nunca se falou tanto em Hillary Clinton como agora.

Hillary é conhecida (e admirada) internacionalmente, e tem um grande capital político: participou ativamente de duas campanhas do marido Bill Clinton, segurou a barra com o escândalo Lewinski e ainda decolou em sua própria carreira, lançando a pré-candidatura à Presidência dos EUA pelo Partido Democrata. Acabou perdendo para Barack Obama, que lhe ofereceu o cargo de secretária de Estado, a maior responsabilidade da política externa americana. E agora tem boas chances de se tornar a primeira presidente mulher dos Estados Unidos.

A ideia de Hillary como candidata democrata à Presidência tem sido uma obsessão da imprensa americana nos últimos meses. Segundo a CNN, sua retórica já é a de candidata, e ela estaria se rodeando dos melhores assessores de campanhas, em vez de publicitários, para vender seu livro.

Em uma matéria de capa dedicada a Hillary, com uma ilustração mostrando um salto caminhando com um homem pendurado, a revista Time disse que Clinton ainda não assumiu que concorrerá à Presidência porque isso apenas iria desacelerar seu passo. “A indecisão é útil a ela porque preserva a flexibilidade na sua agenda e a protege de responder a qualquer controvérsia da internet, que daria espaço para os republicanos dispararem contra ela”, diz a edição de janeiro da revista.

Com discrição, ela consegue passar a mensagem que deseja, como fez recentemente em uma entrevista à rede ABC. Hillary disse que sua família estava “completamente falida” depois do mandato de Bill Clinton, em 2001. Os republicanos haviam dito que o americano comum não conseguia se identificar com ela, que fez uma fortuna com discursos e que está promovendo um novo livro, acusação que os próprios republicanos enfrentaram com seu candidato Mitt Romney nas eleições de 2012. Hillary fez questão de rebater essa crítica contando que o casal teve grandes dificuldades em financiar a educação da filha, Chelsea, e comprovantes divulgados da época mostram que a família devia milhões de dólares.

Mas Hillary se nega a dizer se vai se candidatar ou não, explicando que é uma decisão que só pretende tomar em 2015. Ela não quer se comprometer antes de testemunhar em um comitê do congresso que investiga os ataques terroristas em Benghazi, na Líbia, em 2012. Hillary, secretária de Estado na época, assumiu a responsabilidade pelas falhas de segurança que permitiram o atentado, que foi um grande escândalo político na época, depois de descoberto que o governo americano mentiu inicialmente sobre o motivo do atentado (protestos anti-EUA). O episódio Líbia prejudicou a imagem de Obama, mas principalmente a de Hillary. Já hoje ela diz que a perseguição dos republicanos contra ela nesse caso é mais um incentivo para ela concorrer à Presidência.

Em um artigo publicado recentemente, o Slate diz que as mais de 600 páginads de Hard Choices trazem detalhes de como é sustentar a diplomacia americana em um mundo perigoso que muda a todo momento. “Se dois errados não fazem um certo, esse livro parece operar sob a teoria de que 381 certos podem se sobrepor a um errado. Clinton repete seu arrependimento de ter votado pela guerra no Iraque (...), mas em tantos outros assuntos, Clinton sempre parece estar certa (...). ‘Se eu vou concorrer à Presidência?’, pergunta ela. ‘A resposta é que eu ainda não decidi’. Mas as 600 páginas de escrita metodológica e segura sugerem que sim”, diz o Slate.

Depois do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, seria no mínimo interessante acompanhar a candidatura de quem tem boas chances de se tornar a primeira presidente mulher dos Estados Unidos. E que defende o direito das mulheres. Como ela disse em 2013… “Quando mulheres participam da política, isso ecoa por toda a sociedade. As mulheres são o recurso menos usado do mundo”.

Na pista de dança e na campanha presidencial, Hillary promete alguma diversão

Confira, abaixo, seis temas que são abordados em seu livro.

1. O escândalo de Benghazi: “Nunca haverá um esclarecimento perfeito em relação ao ataque terrorista contra a representação americana em Benghazi, na Líbia”. Em resposta às acusações de que o governo encobriu detalhes sobre o ataque, ela diz que a falta de claridade não deve ser confundida com a falta de esforços para descobrir e compartilhar a verdade.

2. A guerra na Síria: “A Síria evoluiu para um problema difícil com desafios particularmente complexos”. Ela disse que discordou com a decisão de Obama para não armar os rebeldes, mas sentiu que não foi ouvida.

3. A Guerra do Iraque: ela reconhece que errou ao votar pela guerra do Iraque em 2002, como senadora de Nova York, e que cada morte de uma família de Nova York a comovia e o erro se tornava mais doloroso para ela.

4. Rússia: as atitudes do presidente russo Vladimir Putin provaram que ele “tem pele dura e é autocrático, falta-lhe criticismo e ele eventualmente oprime a divergência e o debate”.

5. Execução de Osama: Obama se manteve calmo enquanto seus mais altos assessores monitoravam o ataque dos Navy SEALs que matou Osama bin Laden no Paquistão em maio de 2011. Em uma descrição detalhada da operação, ela disse que raramente se sentiu tão orgulhosa de servir ao lado de Obama.

A foto histórica das autoridades americanas acompanhando a execução de bin Laden: Hillary tensa

6. Sobre as críticas: "o lado bom de perder a corrida para a nomeação democrata de 2008 foi não se importar mais com o que os críticos dizem sobre mim".

7. Diplomacia turbulenta: ela disse que suas habilidades diplomáticas como secretária de estado precisavam ajudar com os planos do casamento da filha Chelsea.

8. Sororidade: ela se negou a criticar Sarah Palin, candidata a vice do Partido Republicano em 2008, “apenas por ser uma mulher pedindo apoio de outras mulheres” durante a corrida presidencial, a pedido dos democratas. "Atacá-la por quê? Por ser mulher?", questionou Hillary.

9. Gafe à americana: quando ela conheceu o mais alto diplomata da Rússia, Sergey Lavrov, em 2009, Clinton ofereceu a ele um botão vermelho escrito “apagar”, para simbolizar seu interesse em um recomeço nas relações entre os dois países. O botão trazia uma palavra em russo que deveria ser a tradução de “apagar”, mas Lavrov disse que estava errado. Ela escreve que não foi o melhor momento da linguística americana.