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10/06/2014 17:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Com a promessa de ganhar espaço, PMDB aprova continuidade de apoio ao PT nas eleições

Reprodução/Twitter

O PMDB votou majoritariamente na tarde desta terça-feira (10) a favor da manutenção da aliança com o PT nas eleições presidenciais de outubro. O resultado na convenção do partido do vice-presidente da República, Michel Temer, realizada em Brasília, apresentou o placar final de 398 votos a favor, contra 275 que optaram pela não continuidade à aliança.

Satisfeito com a vitória, Temer será mais uma vez o vice na chapa de reeleição encabeçada pela presidente Dilma Rousseff. A presidente, aliás, chegou ao evento peemedebista já na parte final, com a vitória da manutenção da aliança garantida na convenção.

Ao brincar com os convencionais, Dilma iniciou seu discurso dizendo que “Vai ter Copa, sim” e elogiou a militância "aguerrida" do PMDB. Dilma chamou Temer de “parceiro” e, nos cumprimentos, fez menção também ao líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ). “Queria agradecer a cada um deles pelo apoio que têm me dado”, disse a presidente.

O presidente do PT, Rui Falcão, fez o mesmo que Dilma e só chegou depois do término da contagem dos votos. Ao final, Temer adotou um discurso conciliatório, ciente de que o partido possui suas divergências, mas acabou prevalecendo a vontade da cúpula nacional, ante aos “dissidentes” em alguns Estados, como os do Rio de Janeiro.

“Essa convenção não tem vencedores e vencidos. Tem um grande vencedor, que é o PMDB. Vocês sabem que, ao longo do tempo, sempre tivemos democraticamente as mais variadas divergências dentro do partido e sempre obtivemos a unidade”, discursou. “Vamos nos unir a partir deste momento porque um instante é o instante político-eleitoral em que as divergências surgem. Outra coisa é o instante político-administrativo do partido, que passamos a viver a partir deste momento”, emendou o vice de Dilma.

Até mesmo do lado que votou contra a aliança viu algo a se comemorar. “Nós ganhamos. Mostramos ao Brasil que quase metade do PMDB quer o fim da aliança”, afirmou o deputado dissidente Darcísio Perondi (PMDB-RS).

Os peemedebistas também falaram sobre o partido possuir um programa para o Brasil. Entre as propostas está a adoção do ensino em tempo integral para alunos de todas as séries até o Ensino Médio, a destinação de 10% da receita corrente bruta para a saúde, e a defesa da liberdade de expressão, que foi interpretada como uma resistência à proposta do PT de regulação da mídia.

Antes da convenção, Temer também indicou que o PMDB estará presente "em todas as áreas", indicando que a sigla deve ganhar mais espaço no governo em caso de reeleição de Dilma. "Eu devo registrar que, certa e seguramente, num próximo mandato, a presença do PMDB no governo será muito mais acentuada", garantiu, em declarações reproduzidas pelo site oficial do partido.

Críticas não passaram em branco

A cúpula do PMDB do Rio de Janeiro, um dos Estados mais críticos da relação do partido com o PT, defendeu no início da convenção a reedição da aliança nacional. Apesar das juras de apoio, peemedebistas criticaram os petistas por terem rompido com o PMDB no Estado e por terem lançado o senador Lindbergh Farias ao governo.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, fez as críticas mais duras ao aliado nacional. “Se qualquer agressão for feita ao governador Sérgio Cabral, será devolvida na mesma moeda”, declarou Paes, para quem o PT deveria mostrar no Rio "a mesma compreensão" do PMDB, que aceitou a vice na chapa encabeçada pela presidente Dilma Rousseff.

“Depois de oito anos ocupando espaços no governo de Sérgio Cabral, o PT não percebeu a importância da transição que estamos fazendo na nossa população”, disse o prefeito. “Precisamos mostrar a setores do PT que não é admissível que haja essa compreensão (rompimento no Estado). Um partido com a nossa força se coloca como vice para poder continuar conduzindo essa transição; temos que exigir essa mesma compreensão (no Rio)”, finalizou.

Assim como Paes, o ex-governador Cabral e o pré-candidato ao governo Luiz Fernando Pezão chegaram ao evento quando Temer já estava no palco e todos declararam apoio à aliança nacional. Pezão disse que o PMDB é "fiador" da governabilidade nacional, enquanto Cabral afirmou que "percalços regionais não vão atrapalhar uma jornada que tão bem tem feito ao Brasil".

Apesar do apoio declarado, deputados do Rio disseram na convenção que a aliança nacional teria pouco apoio vindo dos delegados do Estado. O deputado Leonardo Picciani afirmou mais cedo que, dos mais de 70 votos do Rio na convenção, cerca de 80% votariam pelo rompimento.

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)